
Fatos da Amazônia - 2026
O Fatos da Amazônia 2026 reúne e atualiza alguns dos principais indicadores ambientais, sociais e econômicos da Amazônia, oferecendo um panorama amplo das transformações recentes da região.

O Pará reúne condições naturais, tradição produtiva e uma ampla base de agricultores para recuperar sua competitividade no mercado de pimenta-do-reino. O principal desafio, porém, não está na falta de tecnologias ou de conhecimento, mas na dificuldade de articular os recursos e as instituições já existentes. Essa é uma das principais conclusões do estudo Oportunidades para aprimorar o setor de pimenta-do-reino no Pará, de Eduardo Roxo e Salo Coslovsky, no âmbito do projeto Amazônia 2030.
O levantamento mostra como o Brasil e, especialmente, o Pará perderam espaço no mercado internacional ao longo das últimas décadas. Nos anos 1980, o país chegou a responder por 27% da produção mundial e 24% das exportações globais de pimenta-do-reino. Naquele período, o Pará concentrava mais de 90% da produção brasileira. Atualmente, o estado responde por aproximadamente 33% do volume nacional, enquanto o Espírito Santo lidera o setor, com cerca de 60%.
A comparação entre os dois estados é um dos eixos centrais da análise. Entre 2013 e 2023, o Espírito Santo multiplicou sua produção em mais de dez vezes. Segundo os autores, o resultado está relacionado à capacidade de aproveitar estruturas e competências já desenvolvidas pela cadeia do café, como infraestrutura de secagem e beneficiamento, acesso a financiamento, canais de exportação, assistência técnica e organização dos produtores. O governo estadual também teve papel importante na articulação e no apoio ao setor.
No Pará, apesar da perda de participação, permanecem ativos importantes: cerca de 18 mil produtores, condições climáticas e de solo favoráveis, tradição de cultivo, conhecimento agronômico, instituições de pesquisa e cinco beneficiadoras comerciais, além de uma cooperativa com atuação no mercado internacional. O estudo identifica, entretanto, gargalos que comprometem a produtividade e a qualidade da produção, entre eles a oferta insuficiente de mudas sadias, a falta de análises de solo, práticas defasadas de manejo e pós-colheita, dificuldades de acesso ao crédito e a ausência de uma representação setorial capaz de coordenar os interesses da cadeia.
Para os autores, boa parte das soluções já existe e foi validada tecnicamente. A prioridade é ampliar sua disseminação, facilitar o acesso dos produtores a crédito para renovação das lavouras e modernização das estruturas de beneficiamento e fortalecer a articulação entre os diferentes elos produtivos. O estudo também destaca a importância de melhorar os processos de secagem, classificação e esterilização dos grãos para atender às exigências sanitárias dos mercados internacionais.
Uma das propostas apresentadas é a criação de uma Mesa Executiva da Pimenta-do-Reino no Pará. A iniciativa reuniria produtores, beneficiadoras, fornecedores de insumos, instituições de pesquisa e representantes do poder público para estabelecer prioridades, distribuir responsabilidades e definir metas e prazos. A proposta é começar por questões práticas, como a oferta de mudas, a disponibilidade de análises laboratoriais, a difusão de tecnologias de manejo e pós-colheita e o diagnóstico das condições de acesso ao crédito.
A análise também identifica uma oportunidade de mercado. A demanda mundial por pimenta-do-reino permanece elevada, enquanto a oferta enfrenta dificuldades nos principais países produtores. Esse cenário, combinado ao ciclo de valorização do produto, pode favorecer investimentos na recuperação da produção paraense. Para os autores, aproveitar essa janela depende de transformar os ativos existentes em um ecossistema produtivo mais organizado, eficiente e competitivo.

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