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  • Índice de Progresso Social – Brasil – 2026

    Índice de Progresso Social – Brasil – 2026

    Nascer, viver ou trabalhar em determinados municípios brasileiros ainda faz enorme diferença na qualidade de vida das pessoas. A edição 2026 do Índice de Progresso Social (IPS Brasil), que avaliou os 5.570 municípios do país com base em 57 indicadores sociais e ambientais, mostra que as desigualdades territoriais seguem sendo uma das principais marcas do desenvolvimento brasileiro. Pelo terceiro ano consecutivo, Gavião Peixoto (SP) alcançou a melhor classificação do país, com 73,10 pontos em uma escala de 0 a 100. Entre as capitais, a liderança ficou com Curitiba (PR), seguida por Brasília (DF), São Paulo (SP), Campo Grande (MS) e Belo Horizonte (MG).

    Figura 1. Mapa dos resultados do IPS Brasil 2026

    O Progresso Social é definido como a capacidade da sociedade de atender às necessidades humanas básicas, garantir qualidade de vida e ampliar oportunidades para que todos os indivíduos possam atingir seu potencial. Para calcular o índice, o IPS  leva em consideração 57 indicadores sociais ou ambientais, com foco em resultados, uso de dados públicos confiáveis, atualizados e com ampla cobertura territorial. “Ou seja, o IPS mede resultados e não volume de investimentos, ou riquezas, nos interessa saber se os serviços públicos estão, de fato”, sendo entregues aos cidadãos”, afirma Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.

    Entre os 20 melhores resultados, há forte predominância de cidades do Sudeste, especialmente do estado de São Paulo, com destaque para Gavião Peixoto (SP), que lidera o ranking nacional, seguido por municípios como Jundiaí (SP), Osvaldo Cruz (SP) e Pompéia (SP). Também aparecem cidades do Sul e Sudeste, como Curitiba (PR), Nova Lima (MG) e Maringá (PR), indicando maior concentração de altos níveis de progresso social nessas regiões. Na outra ponta, os 20 municípios com piores desempenhos concentram-se majoritariamente na região Norte, especialmente no estado do Pará, além de municípios de Roraima, Acre, Tocantins e Maranhão. Uiramutã (RR) ocupa a última posição do ranking, seguido por cidades como Jacareacanga (PA) e Alto Alegre (RR). 

    Capitais

    O ranking das capitais no IPS Brasil 2026 mostra diferenças relevantes nos níveis de qualidade de vida entre grandes centros urbanos do país. Curitiba (PR) lidera com 71,29 pontos, seguida por Brasília (DF), com 70,73, e São Paulo (SP), com 70,64. Na sequência aparecem Campo Grande (MS), com 69,77, e Belo Horizonte (MG), com 69,66. Na faixa intermediária, capitais como Rio de Janeiro (RJ) registram 67,00 pontos, Porto Alegre (RS) 66,94 e Natal (RN) 66,82. Já entre os menores resultados estão Salvador (BA), com 62,18, Maceió (AL), com 61,96, Macapá (AP), com 59,65, e Porto Velho (RO), com 58,59. A diferença entre a capital mais bem colocada e a última ultrapassa 12 pontos, evidenciando a variação nos níveis de progresso social entre as capitais brasileiras.

    “Apesar do bom desempenho das capitais, todas apresentam sérias dificuldades no componente de inclusão social, com altos índices de violência contra minorias, famílias em situação de rua e baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais”,afirmou Melissa Wilm.

    Quadro 2. Pontuações das capitais no IPS Brasil 2026 e sua classificação entre os 9 grupos.

     

    Estados

    O IPS também também avalia o desempenho médio dos estados brasileiros. Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina foram os mais bem colocados. Na outra ponta, Pará, Maranhão e Acre. No ranking dos estados do IPS Brasil 2026, o Distrito Federal (1º), São Paulo (2º) e Santa Catarina (3º) apresentam as melhores pontuações, destacando-se no mapa com os níveis mais elevados de progresso social. Na outra ponta, os menores desempenhos concentram-se nas regiões Norte e Nordeste, com Acre (25º), Maranhão (26º) e Pará (27º) ocupando as últimas posições do ranking. Considerando as regiões geográficas, o Distrito Federal lidera no Centro-Oeste, São Paulo no Sudeste e Santa Catarina no Sul, enquanto a Paraíba se destaca no Nordeste e Tocantins apresenta o melhor desempenho entre os estados da região Norte.

    Figura 2. Resultados do IPS Brasil 2026 para as unidades federativas.

    Quadro 2. Pontuação do IPS Brasil 2026 para as unidades federativas

    Resultados gerais 

    O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 mostra que o país alcançou pontuação média de 63,40, em uma escala de 0 a 100, indicando uma evolução sutil em relação ao ano anterior. Entre as dimensões do índice, Necessidades Humanas Básicas apresentou o melhor desempenho, com média de 74,58, seguida por Fundamentos do Bem-estar, com 68,81. Já a dimensão Oportunidades registrou o menor resultado, com 46,82, mantendo o padrão observado desde as edições anteriores.

    Na análise dos 12 componentes que compõem o índice, Moradia obteve a maior pontuação média (87,95), seguida por Acesso à Informação e Comunicação (79,81), que também apresentou o maior avanço percentual em relação ao ano anterior. Em contrapartida, os piores resultados concentram-se na dimensão de Oportunidades, com destaque para Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22).

    O componente de Inclusão Social mantém trajetória de queda desde 2024, refletindo desafios persistentes como a baixa representatividade de mulheres e pessoas negras nas câmaras municipais e os altos índices de violência contra minorias. Ao mesmo tempo, parte da região Nordeste apresenta desempenhos relativamente melhores nesse tema.

    Os resultados também evidenciam desafios regionais. Estados da Amazônia Legal apresentam desempenho mais baixo no componente de Qualidade do Meio Ambiente, influenciados pelo desmatamento acumulado e pela concentração de emissões de gases de efeito estufa. Já o componente de Saúde e Bem-estar aponta fragilidades especialmente nas regiões Sul e Sudeste, associadas a taxas elevadas de obesidade, suicídio e mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis.

    O estudo classifica os municípios brasileiros em nove grupos de desempenho, representados no mapa nacional por diferentes tonalidades. O Grupo 1, com melhores resultados, reúne 706 municípios, enquanto o Grupo 9, com piores desempenhos, concentra apenas 23 municípios. Entre 2025 e 2026, 754 municípios avançaram para grupos de melhor desempenho, enquanto o número de cidades nas faixas mais baixas foi reduzido em 500 municípios, indicando mudanças importantes na distribuição do progresso social no país.

    O grupo com melhores resultados concentra a maioria das capitais e grande parte dos municípios mais populosos, com mais de 200 mil habitantes. Já os municípios com piores desempenhos tendem a apresentar baixa densidade demográfica e maior distância dos grandes centros urbanos.

    O que o IPS Brasil 2026 avalia

    O Progresso Social é definido pelo Social Progress Imperative como a capacidade da sociedade de atender às necessidades humanas básicas, garantir qualidade de vida e ampliar oportunidades para que todos os indivíduos possam atingir seu potencial. Com base nesse conceito, o IPS Brasil 2026 é formulado a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.

    No site do IPS Brasil, é possível analisar o perfil detalhado de todos os municípios, identificando em quais áreas cada um se destaca e onde há necessidade de melhorias. A plataforma também permite comparar municípios com características semelhantes, como PIB per capita, população e território, oferecendo uma ferramenta prática para gestores públicos, investidores sociais e a sociedade em geral compreenderem melhor as dinâmicas de desenvolvimento local e planejarem ações mais eficazes para promover o progresso social e ambiental.

    O índice é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Imazon, Fundação Avina, iniciativa Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative, sendo baseado exclusivamente em dados públicos e atualizado anualmente. A ferramenta permite acompanhar tendências e apoiar o planejamento, a avaliação de políticas públicas e o direcionamento de investimentos sociais.

    Cada indicador passa por um processo de validação e modelagem estatística, incluindo normalização, verificação de qualidade e definição de pesos por meio da Análise de Componentes Principais (ACP). O resultado final varia de 0 a 100, refletindo o desempenho dos municípios nas três dimensões do progresso social.

    Diferentemente de indicadores econômicos como o PIB e o IDH, o IPS mede diretamente resultados na vida da população, permitindo identificar desigualdades e comparar territórios de forma mais precisa. O índice evidencia que municípios com níveis semelhantes de renda podem apresentar desempenhos muito distintos em qualidade de vida, reforçando o papel das políticas públicas e da gestão na transformação de recursos em bem-estar.

  • As Portas de Entrada do Emprego Formal na Amazônia

    As Portas de Entrada do Emprego Formal na Amazônia

    A Amazônia Legal concentra 13% da população brasileira, mas responde por apenas 9% dos empregos formais do país, revelando um mercado de trabalho mais restrito e com forte dependência do setor público para gerar oportunidades de maior qualidade. O dado faz parte do estudo “As portas de entrada do emprego formal na Amazônia”, do projeto Amazônia 2030, que analisa a estrutura do mercado formal na região. A analise revela que o setor público é a principal porta de entrada para o emprego formal de maior qualificação na Amazônia Legal. Entre trabalhadores com ensino superior completo, 67,4% estão no setor público na região, frente a 42,4% no restante do Brasil.

    O levantamento dos economistas Gustavo Gonzaga e Vinícius de Sá, do Departamento de Economia da PUC-Rio, analisa a estrutura do mercado formal com base na Relação Anual de Informações Sociais, a Rais, utilizando como referência o ano de 2018. O objetivo é compreender onde estão as ocupações formais de maior qualidade na região e como elas se comparam ao restante do país

    Os dados mostram que a Amazônia Legal concentra 13% da população brasileira, mas responde por apenas 9% dos empregos formais do país. Apenas 18,7% da população da região tinha um emprego formal em 2018, contra 28,4% no restante do Brasil. A diferença está associada sobretudo à menor presença do setor privado formal na Amazônia.

    Peso dos governos estaduais

    O estudo identifica ainda um protagonismo particular dos governos estaduais na absorção de trabalhadores qualificados. Entre os empregados com ensino superior no setor público da Amazônia Legal, 42,5% estão vinculados aos governos estaduais, frente a 33,1% no restante do Brasil.

    Além disso, há uma concentração mais elevada de servidores estaduais em funções administrativas. Entre os servidores estaduais com ensino superior na Amazônia, 29,2% atuam em serviços administrativos, proporção quase três vezes maior do que no restante do país, onde o percentual é de 10,2%. 

    Diferença salarial amplia atratividade do setor público

    O estudo também aponta que a maior presença do setor público entre trabalhadores qualificados está associada a diferenciais salariais expressivos.

    Na Amazônia Legal, o salário mediano de trabalhadores com ensino superior no setor público é 60,6% superior ao do setor privado formal, R$ 4.808 contra R$ 2.994 em valores de 2018. No restante do Brasil, essa diferença é de 27,5%.

    Mesmo após controlar fatores como experiência, escolaridade, gênero, raça, setor de atividade e localização, o prêmio salarial do setor público permanece elevado. Entre trabalhadores com ensino superior, o setor público paga, em média, 46,0% a mais do que o setor privado na Amazônia Legal, frente a 28,6% no restante do país.

    No caso específico dos governos estaduais, o diferencial é ainda mais expressivo: o prêmio salarial estadual em relação ao setor privado chega a 55,7% na Amazônia Legal, contra 12,7% no restante do Brasil. 

    Implicações para o desenvolvimento regional

    Para os autores, os resultados indicam que as ocupações formais de maior qualificação e remuneração na Amazônia Legal estão fortemente ancoradas no setor público, especialmente nos governos estaduais. Esse padrão sugere limitações na capacidade do setor privado formal de absorver trabalhadores qualificados na região.

    O estudo ressalta que os dados se referem exclusivamente ao emprego formal registrado na Rais e não capturam formas alternativas de inserção no mercado de trabalho, como empreendedorismo e trabalho por conta própria. Ainda assim, o diagnóstico oferece evidências importantes para o debate sobre desenvolvimento regional, qualificação profissional e o papel do setor público e do setor privado na geração de oportunidades na Amazônia.

  • Da Exploração Ilegal de Recursos Naturais ao Tráfico Internacional de Cocaína: Padrões de Violência na Amazônia Brasileira

    Da Exploração Ilegal de Recursos Naturais ao Tráfico Internacional de Cocaína: Padrões de Violência na Amazônia Brasileira

    Nas últimas duas décadas, a violência nos municípios pequenos da Amazônia Legal tomou um rumo diferente do restante do país. Entre 1999 e 2023, a região acumulou 18.755 homicídios a mais do que teria registrado se tivesse seguido a mesma trajetória dos demais municípios de pequeno porte do Brasil, revelando um descolamento persistente e preocupante em relação ao padrão nacional.

    O dado é um dos principais resultados do relatório Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira, do projeto Amazônia 2030, que analisa a evolução dos homicídios e sua relação com diferentes atividades ilegais ao longo do tempo.

    No início dos anos 2000, os municípios com menos de 100 mil habitantes da Amazônia e do restante do Brasil apresentaram taxas semelhantes, cerca de 10 homicídios por 100 mil habitantes. A partir de 2005, porém, as trajetórias passaram a divergir. Em 2023, os municípios pequenos da Amazônia registraram 30 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto os demais municípios pequenos do país ficaram em torno de 20 por 100 mil.

    Ao estimar a contribuição de quatro fatores de risco: exploração ilegal de madeira; grilagem de terras; mineração ilegal de ouro; e presença de facções ligadas ao tráfico, o estudo calcula que 18.367 homicídios poderiam ter sido evitados entre 1999 e 2023 caso esses fatores não estivessem presentes.

    Padrão de violência

    O estudo mostra que até meados dos anos 2000, os homicídios estavam mais associados à exploração ilegal de madeira. Nos anos seguintes, cresceram os conflitos ligados à grilagem de terras e à mineração ilegal de ouro.
    A partir da segunda metade da década de 2010, sobretudo após 2018, ocorre uma inflexão clara: a presença de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas passa a desempenhar papel central na dinâmica dos homicídios.

    Até 2017, apenas 29% das mortes associadas a fatores de risco estavam relacionadas à presença de facções criminosas. Entre 2018 e 2023, esse percentual sobe para 56%, indicando a crescente centralidade do tráfico na explicação da violência na região.

    No período mais recente, entre 2018 e 2023, a contribuição conjunta dos quatro fatores de risco explica cerca de 60% do excesso de homicídios, o equivalente a aproximadamente 5.500 mortes adicionais associadas a esses fatores.
    O relatório também mostra que o acúmulo de riscos agrava o cenário. A partir de 2014, municípios expostos simultaneamente a três ou quatro fatores de risco registraram crescimentos mais intensos nas taxas de homicídio. Municípios com quatro fatores apresentaram, em média, aumento aproximado de 30 homicídios por 100 mil habitantes em relação aos municípios sem fatores de risco no período de referência.

    Violência se interioriza e se torna mais complexa

    Os dados indicam um processo de interiorização da violência. Municípios que, no início dos anos 2000, registravam níveis praticamente nulos de homicídios passaram a apresentar taxas elevadas nas décadas seguintes.
    Além do aumento quantitativo, houve uma transformação qualitativa. A violência, antes predominantemente ligada a disputas locais por recursos naturais, passou a se integrar a redes do crime organizado, com disputas por rotas e controle territorial ligadas ao tráfico.

    O relatório conclui que o enfrentamento do problema exige estratégias mais integradas. Medidas tradicionais, como regularização fundiária e fiscalização ambiental, podem ser insuficientes diante da consolidação do crime organizado. A resposta, segundo o estudo, precisa articular governança territorial, políticas ambientais, segurança pública e controle de fronteiras em um contexto de dinâmica criminal mais complexa.

  • O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global

    O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global

    O Brasil reúne as condições mais favoráveis do planeta para liderar a agenda climática global por meio da conservação, restauração florestal e silvicultura. Essa é a principal conclusão do estudo O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global, que apresenta dados consolidados sobre o papel estratégico das florestas brasileiras no enfrentamento da crise climática.

    Segundo o documento, as florestas estão entre as soluções climáticas mais escaláveis e custo-efetivas disponíveis atualmente, sendo responsáveis por absorver cerca de um terço das emissões globais anuais de gases de efeito estufa provenientes da atividade humana. Sem florestas conservadas, manejadas e restauradas, o cumprimento das metas do Acordo de Paris torna-se inviável.

    O Brasil ocupa posição central nesse cenário. O país detém a maior área contínua de florestas tropicais do mundo e concentra o maior potencial global de restauração florestal. Atualmente, são cerca de 500 milhões de hectares de florestas nativas, o equivalente a quase 60% do território nacional.

    Dois cenários para 2035

    O estudo projeta dois cenários para 2035. No cenário base, mantidos níveis médios de desmatamento, o país registraria perda aproximada de 1% no estoque de carbono das formações florestais.

    No cenário potencial, com desmatamento ilegal próximo de zero até 2030, expansão da restauração e crescimento da silvicultura, o Brasil poderia gerar um ganho líquido de aproximadamente 1% no estoque de carbono, revertendo a curva histórica de perda florestal.

    Esse avanço seria possível sem competir com a produção de alimentos. O levantamento indica que há extensas áreas desmatadas subutilizadas aptas a atender a expansão agropecuária e, simultaneamente, permitir a restauração florestal e o plantio comercial de árvores.

    Código Florestal e instrumentos de mercado

    O país já dispõe de arcabouço legal robusto para proteção das florestas, com destaque para o Código Florestal, que assegura Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais em propriedades rurais. Estima-se que 215 milhões de hectares estejam conservados ou reflorestados em imóveis rurais voltados à produção de alimentos.

    O estudo também aponta mecanismos financeiros promissores para escalar a conservação, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, TFFF, e o REDD+ Jurisdicional. Ao lado desses instrumentos, políticas de comando e controle combinadas com ordenamento territorial já demonstraram eficácia histórica, como ocorreu entre 2004 e 2012, quando o desmatamento na Amazônia foi reduzido em 80%.

    Restauração e silvicultura em expansão

    A restauração florestal com espécies nativas desponta como nova fronteira econômica, atraindo capital privado e podendo alcançar milhões de hectares até 2035.

    Já a silvicultura de espécies exóticas, considerada a mais competitiva do mundo, deve expandir sua área plantada de 4 milhões para até 6,2 milhões de hectares na próxima década, sobretudo em áreas anteriormente degradadas.

    Além da captura de carbono, as florestas brasileiras exercem papel crucial na regulação do regime de chuvas, na segurança hídrica, na produção agrícola e na conservação da biodiversidade.

    Para os autores, consolidar o protagonismo brasileiro exige combinar proteção efetiva contra o desmatamento ilegal, ampliação da restauração, fortalecimento da bioeconomia e criação de mecanismos financeiros capazes de transformar o capital natural em ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável.

  • Combating Deforestation Reduces Crime in the Amazon

    Combating Deforestation Reduces Crime in the Amazon


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    Fighting deforestation not only protects the forest—it also saves lives. That is the conclusion of a new study by the Amazônia 2030 project, “Combating deforestation reduces crime in the Amazon.” The research shows that strengthening environmental enforcement—especially through the DETER satellite monitoring system, implemented in 2006—reduced homicides in the region by about 15%, equivalent to 1,477 lives saved each year. The findings indicate that effective environmental policies also function as public security policies, with a direct impact on land conflicts, the expansion of illegal markets, and the operations of organized crime along deforestation frontiers.

    While Brazil has reduced its homicide rates over the past decade, the Amazon followed the opposite path. Between 2006 and 2016, violence surged in Amazonian municipalities: the homicide rate rose from 33.1 to 52.1 per 100,000 inhabitants—an increase of 57.3%, far higher than in the rest of the country. The study explains that this violence has distinct characteristics: it occurs mainly in rural areas, near deforestation fronts, illegal mining, land grabbing, and logging—territories where the state has historically had a limited presence.

    Conducted by researchers Rafael Araujo, Vítor Possebom, and Gabriela Sett, the study identified a direct link between environmental enforcement and reductions in violence. With real-time monitoring and swift application of environmental fines, state presence increases, raising the costs of illegal activities and shrinking the operating space for criminal networks. The study shows that each fine issued reduces homicides by 0.73 per 100,000 inhabitants in the following year, and that municipalities subject to stronger enforcement are less likely to record lethal violence.

    In addition, the research estimates that the social benefits of avoided violence amount to US$2.3 billion per year, while the operational costs of the agencies responsible for DETER are around US$622 million. The social return is 3.7 times the investment, not including environmental gains such as reduced carbon emissions and biodiversity protection.

    According to the authors, the results make clear that effective environmental policies should also be treated as public security policies. They recommend integrating conservation actions with crime-fighting efforts, especially in critical territories where deforestation, illegal markets, and violence advance together. This includes strengthening coordinated operations among environmental agencies, police forces, and local governance structures, prioritizing regions with higher levels of conflict and pressure from illegal activities.

    The study also highlights the need to reinforce the operational capacity of Ibama, ICMBio, and state agencies by expanding staff, technology, and territorial presence. Investing in environmental enforcement, the authors argue, is investing in institutional stability, homicide reduction, and sustainable development. Monitoring, command, and control policies have the potential to interrupt cycles of rural violence and consolidate state presence in historically vulnerable areas.

    The analysis confirms a central message: protecting the forest also means protecting lives. In a region marked by institutional fragility and illegal networks, monitoring and state action have a proven capacity to reduce homicides, curb illicit markets, and promote sustainable development.

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  • Combate ao Desmatamento Reduz a Criminalidade na Amazônia

    Combate ao Desmatamento Reduz a Criminalidade na Amazônia

    Combater o desmatamento não só protege a floresta, como também salva vidas, é o que aponta o novo estudo do projeto Amazônia 2030, “Combater o desmatamento reduz a criminalidade na Amazônia“. A pesquisa mostra que o fortalecimento da fiscalização ambiental, especialmente a partir do sistema de monitoramento por satélite DETER, implementado em 2006, reduziu em cerca de 15% o número de homicídios na região, o equivalente a 1.477 mortes evitadas por ano. Os resultados indicam que políticas ambientais eficazes funcionam também como políticas de segurança pública, com impacto direto sobre conflitos fundiários, expansão de mercados ilegais e atuação do crime organizado nas fronteiras do desmatamento.

    Enquanto o Brasil reduziu suas taxas de homicídio na última década, a Amazônia seguiu trajetória oposta. De 2006 a 2016, os municípios amazônicos viram a violência explodir: a taxa de homicídios subiu de 33,1 para 52,1 por 100 mil habitantes, aumento de 57,3%, muito acima do restante do país. O estudo explica que essa violência tem características próprias: ocorre majoritariamente em áreas rurais, próximas a frentes de desmatamento, garimpo ilegal, grilagem e exploração madeireira, territórios onde o Estado historicamente exerce pouca presença.

    O estudo conduzido pelos pesquisadores Rafael Araujo, Vítor Possebom e Gabriela Sett, identificou um elo direto entre fiscalização ambiental e queda da violência. Com monitoramento em tempo real e aplicação rápida de multas ambientais, a presença do Estado aumenta, elevando custos para atividades ilegais e reduzindo o espaço de atuação de redes criminosas. O estudo mostra que cada multa aplicada reduz, no ano seguinte, 0,73 homicídio por 100 mil habitantes, e que municípios mais fiscalizados apresentam menor probabilidade de registrar violência letal.

    Além disso, a pesquisa estima que os benefícios sociais da violência evitada chegam a 2,3 bilhões de dólares por ano, enquanto o custo operacional dos órgãos responsáveis pelo DETER gira em torno de US$ 622 milhões. O retorno social é de 3,7 vezes o investimento, sem contar ganhos ambientais, como redução de emissões de carbono e proteção da biodiversidade.

    Para os autores, os resultados deixam claro que políticas ambientais eficazes devem ser tratadas também como políticas de segurança pública. Eles recomendam integrar ações de conservação e de combate ao crime, especialmente em territórios críticos onde desmatamento, mercados ilegais e violência avançam juntos. Isso inclui fortalecer operações coordenadas entre órgãos ambientais, forças policiais e estruturas locais de governança, priorizando regiões com maior incidência de conflitos e pressão de atividades ilegais.

    O estudo destaca ainda a necessidade de reforçar a capacidade operacional do Ibama, ICMBio e órgãos estaduais, ampliando equipes, tecnologia e presença territorial. Investir em fiscalização ambiental, mostram os autores, é investir em estabilidade institucional, redução de homicídios e desenvolvimento sustentável. Políticas de monitoramento, comando e controle têm potencial para interromper ciclos de violência rural e consolidar a presença do Estado em áreas historicamente vulneráveis.

    A análise confirma uma mensagem central: proteger a floresta é também proteger vidas. Em uma região marcada por fragilidade institucional e redes ilegais, o monitoramento e a ação do Estado têm capacidade comprovada de reduzir homicídios, conter mercados ilícitos e promover desenvolvimento sustentável.

  • To Protect the Amazon – We Have to Reforest It

    To Protect the Amazon – We Have to Reforest It


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    The conversion of already deforested areas into sustainable productive systems can generate green jobs, increase regional income, and reduce pressure on the forest, according to a new study showing that the Amazon has 35 million hectares available for productive reforestation and currently captures only 3% of a global US$233 billion market in forest-compatible products. Authored by Salo Coslovsky and Beto Veríssimo, the study from the Amazônia 2030 project details how this strategy can reconcile environmental protection with economic development, proposing a national program built on state coordination, technology, and land tenure security.

    The Policy Brief, “To protect the Amazon rainforest, we need to reforest the deforested areas,” presents a broad and feasible proposal to simultaneously address two historical challenges in the region: the lack of economic opportunities and the fragility of conservation efforts. The study shows that productive reforestation—recovering already cleared and currently underused areas through agroforestry systems, silviculture, and ecological restoration—can create quality jobs, increase incomes for Amazonian residents, and curb the advance of illegal activities that pressure the forest.

    Among the key messages highlighted in the document are:

    • Restoring degraded areas is the key to breaking the impasse between development and conservation.

    • The Amazon has about 35 million hectares available for productive reforestation, with no need for additional clearing.

    • The region generates US$7.2 billion per year from forest-compatible products, but this represents only 3% of a total market worth US$233 billion.

    • Without green jobs, environmental protection is fragile, and recent setbacks show that conservation alone is not enough.

    • A national productive reforestation program can generate income, capture carbon, restore ecosystems, and strengthen already established value chains.

    The study notes that between 2013 and 2024, the Amazon lost 4.6 million more hectares of forest than it would have lost had deforestation remained at the historic 2012 low. The creation of protected areas stagnated, and the grabbing of public forestlands increased, while federal and state lawmakers weakened environmental protections.

    This scenario is worsened by the lack of green jobs and sustainable businesses, which drives part of the population toward predatory activities such as illegal mining, land grabbing, and extensive cattle ranching. According to the authors, there will be no lasting conservation without local prosperity—and the solution lies in the areas that are already cleared.

    Why productive reforestation works


    The study demonstrates that productive reforestation has the conditions needed to be implemented at scale:

    • There is real and growing demand for products such as açaí, cacao, bananas, cassava, fibers, and palm species.

    • Modern agriculture has become technology-intensive, generating skilled jobs in both rural and urban areas.

    • The forest restoration and carbon capture market is expanding, offering new revenue opportunities.

    • The Amazon already has experienced entrepreneurs in these value chains and concrete examples of success.

    • Brazil has accumulated important lessons on how to design effective productive development policies.

     

    The authors propose a National Productive Reforestation Program built on five pillars:

     

    1. Resolve land tenure issues, protecting public forests and regularizing long-deforested private lands.

    2. Expand long-term financing, using future contracts—including carbon—as guarantees.

    3. Develop technology and local capacity, focusing on advanced rural operations and agroforestry systems.

    4. Reorient productive development policies to support established and competitive value chains.

    5. Coordinate state action, ensuring predictability, scale, and clear targets.

    Brazil has the conditions to move quickly on a program with simultaneous economic, social, and environmental impact. “Productive reforestation increases productivity, generates green jobs, and strengthens conservation. The Amazon can prosper without clearing more forest, and the country needs to act now,” the researchers say.

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  • Para Proteger a Floresta Amazônica, Precisamos Rematar as Áreas Desmatadas

    Para Proteger a Floresta Amazônica, Precisamos Rematar as Áreas Desmatadas

    A conversão de áreas já desmatadas em sistemas produtivos sustentáveis pode gerar empregos verdes, ampliar a renda regional e reduzir a pressão sobre a floresta, aponta um novo estudo que revela que a Amazônia possui 35 milhões de hectares disponíveis para rematamento e hoje captura apenas 3% de um mercado global de US$ 233 bilhões em produtos da floresta. Assinado por Salo Coslovsky e Beto Veríssimo, o trabalho do projeto Amazônia 2030 detalha como essa estratégia pode reconciliar proteção ambiental e desenvolvimento econômico, propondo um programa nacional baseado em coordenação estatal, tecnologia e segurança fundiária.

    A Notas de Políticas Públicas (Policy Brief), “Para proteger a floresta amazônica, precisamos rematar as áreas desmatadas”, apresenta uma proposta ampla e factível para enfrentar simultaneamente dois desafios históricos da região: a falta de oportunidades econômicas e a fragilidade da conservação ambiental. O estudo mostra que o rematamento produtivo, a recuperação de áreas já abertas e hoje subutilizadas por meio de sistemas agroflorestais, silvicultura e restauração, pode gerar empregos de qualidade, ampliar a renda dos amazônidas e reduzir o avanço de atividades ilegais que pressionam a floresta.

    Entre as principais mensagens do documento estão:

    • Rematar áreas degradadas é a chave para quebrar o impasse entre desenvolvimento e conservação.
    • A Amazônia tem cerca de 35 milhões de hectares disponíveis para rematamento, sem necessidade de novo desmatamento.
    • A região movimenta US$ 7,2 bilhões por ano com produtos compatíveis com a floresta, mas isso representa apenas 3% de um mercado total de US$ 233 bilhões.
    • Sem empregos verdes, a proteção ambiental é frágil, e retrocessos recentes mostram que só conservar não é suficiente.
    • Um programa nacional de rematamento produtivo pode gerar renda, capturar carbono, restaurar ecossistemas e fortalecer cadeias produtivas já consolidadas.

     

    O estudo destaca que, entre 2013 e 2024, a Amazônia perdeu 4,6 milhões de hectares a mais de floresta do que teria perdido se o desmatamento tivesse permanecido no piso histórico de 2012. A criação de áreas protegidas estagnou e a grilagem de terras públicas voltou a crescer, enquanto legisladores federais e estaduais enfraqueceram mecanismos de proteção.

    Esse cenário é agravado pela escassez de empregos e negócios verdes, que leva parte da população a depender de atividades predatórias como garimpo, grilagem e pecuária extensiva. Para os autores, não haverá conservação duradoura sem prosperidade local, e a saída está nas áreas já abertas.

    Por que o rematamento produtivo funciona

    O estudo demonstra que o rematamento produtivo reúne as condições necessárias para ser implementado em grande escala:

    • Existe demanda real e crescente por produtos como açaí, cacau, banana, mandioca, fibras e palmáceas.
    • A agricultura moderna se tornou intensiva em tecnologia, gerando empregos qualificados no campo e nas cidades.
    • O mercado de restauração florestal e captura de carbono está em expansão, oferecendo novas fontes de renda.
    • A Amazônia já tem empreendedores experientes nessas cadeias e exemplos concretos de sucesso.
    • O país acumulou lições importantes sobre como desenhar políticas produtivas eficazes.

     

    Os autores propõem um Programa Nacional de Rematamento Produtivo estruturado em cinco pilares:

     

    1. Resolver a questão fundiária, protegendo florestas públicas e regularizando áreas antigas de desmatamento.
    2. Ampliar o financiamento de longo prazo, usando contratos futuros, inclusive de carbono, como garantia.
    3. Desenvolver tecnologia e capacitação local, com foco em operações rurais tecnificadas e agroflorestais.
    4. Reorientar políticas de desenvolvimento produtivo para apoiar cadeias já consolidadas e competitivas.
    5. Coordenar a ação estatal, garantindo previsibilidade, escala e metas claras.

     

    O Brasil tem condições de avançar rapidamente em um programa com impacto econômico, social e ambiental simultâneo. “O rematamento produtivo aumenta a produtividade, gera empregos verdes e fortalece a conservação. A Amazônia pode prosperar sem derrubar mais floresta, e o país precisa agir agora”, afirmam os pesquisadores.

  • Mesas Executivas de Exportação: O Panorama do Açaí

    Mesas Executivas de Exportação: O Panorama do Açaí

    Um novo estudo do projeto Amazônia 2030 analisa o crescimento, os gargalos e o futuro do setor de beneficiamento e exportação do açaí na região amazônica.  O relatório, intitulado “Mesas Executivas de Exportação: O Panorama do Açaí”, aponta que o fruto símbolo da bioeconomia amazônica vive um momento decisivo, combinando expansão acelerada, valorização internacional e riscos crescentes que exigem coordenação entre produtores, governo e sociedade civil.

    Produzido pelos pesquisadores Salo Coslovsky, Manuele Lima e Amanda Martins, o documento servirá de base para a criação da Mesa Executiva de Beneficiamento do Açaí, iniciativa articulada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA).

    Segundo o estudo, o Brasil produziu 1,93 milhão de toneladas de açaí em 2023, um aumento de 68% desde 2015. A produção industrial de polpas cresceu 17 vezes em uma década, refletindo a forte demanda nacional e internacional. As exportações atingiram US$ 140 milhões em 2024, com o produto brasileiro presente em mais de 30 países.

    O Pará responde por 80% da produção nacional, concentrada no entorno de Belém e do arquipélago do Marajó, uma liderança que gera vantagens competitivas, mas também expõe o setor a riscos logísticos, trabalhistas e ambientais.

    Oportunidades e riscos para o futuro do açaí

    A analise aponta três oportunidades estratégicas:

    • Aumentar a produtividade agrícola, que hoje é de 7 toneladas por hectare no Pará, podendo chegar a 15 toneladas com manejo tecnificado;

    • Ampliar a participação nas exportações, que ainda representam apenas 2,5% a 4,5% da produção total;

    • Fortalecer a coordenação entre produtores, reduzindo custos, melhorando a qualidade e protegendo o setor da concorrência nacional e internacional, especialmente de Colômbia, Peru e Equador, que avançam sobre esse mercado.

    O estudo também chama atenção para seis desafios estruturais:

    1. Condições de trabalho, com denúncias que ameaçam o acesso a mercados premium;

    2. Pressões ambientais, ligadas à “açaização” de grandes áreas;

    3. Lacunas regulatórias, que geram insegurança tributária e sanitária;

    4. Falta de monitoramento de safra, que compromete o planejamento produtivo;

    5. Necessidade de inovação tecnológica, do campo ao beneficiamento;

    6. Acesso da população local, pressionado pela alta dos preços do açaí.

     

    “O setor construiu, ao longo das últimas décadas, uma posição de liderança baseada em vantagens naturais e conhecimento acumulado. Mas transformar esse sucesso em uma diferenciação sustentável exige ação coletiva”, afirma Salo Coslovsky. “A Mesa Executiva pode coordenar esforços, definir padrões de qualidade e consolidar o açaí como referência global em produto florestal sustentável.”

  • State of the Brazilian Amazon

    State of the Brazilian Amazon


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    The State of the Brazilian Amazon is an unprecedented compilation that brings together some of the main findings of the Amazônia 2030 Project, organized specifically to mark the UN Climate Conference taking place in Belém do Pará. More than just a statistical snapshot, this edition aims to serve as a guide for those seeking to understand the heterogeneity and richness of the Amazon, gathering essential data on the region’s territory, population, environment, and economy at a decisive moment for the planet’s future.

    The 30th United Nations Climate Change Conference (COP30) will bring together leaders from nearly 200 countries, as well as scientists and civil society representatives, to discuss commitments and actions to tackle the climate crisis. For the first time, the event will be held in the heart of the Amazon, underscoring the biome’s central role in the planet’s future.

    Key Highlights

    Territory and Population: The Legal Amazon covers 59% of Brazil, with 5 million km² and 26.7 million inhabitants (13% of the national population) distributed across 773 municipalities.

    Five Amazons: The report classifies the region into five distinct zones — forest (39% of the area), under pressure (29%), deforested (11%), non-forest/Cerrado (21%), and urban (76% of the population).

    Deforestation: Although declining since 2021, it remains critical. The total deforested area reached 857,000 km² by 2024, equivalent to 20.6% of the original forest cover. States such as Maranhão (65.9%), Mato Grosso (35.3%), and Pará (26.4%) have lost significant portions of their vegetation.

    Fires: In 2024, the region recorded 192,700 fire hotspots, the highest number since 2014 — a 52% increase compared to 2023, driven mainly by Mato Grosso (+133%) and Roraima (+102%).

    Emissions: The Legal Amazon accounted for 1.1 billion tons of CO₂ in 2023, nearly half of Brazil’s emissions. Net emissions were 602 million tons, representing 36% of the country’s net total.

    Bioeconomy: The 10 main products of the region generated billions in 2023. Açaí led with R$ 8.9 billion, followed by canephora coffee (R$ 2.5 billion), banana (R$ 2.4 billion), cocoa (R$ 2.1 billion), and Brazil nuts (R$ 172 million).

    Poverty: In 2024, around 10 million people were living in poverty in the region, equivalent to 36% of the Legal Amazon’s population — above the national average.

    Violence: The homicide rate remains high, reaching 32.9 per 100,000 inhabitants in 2023, still above the national average.

    The study shows that the Amazon is not a single reality but multiple Amazons combining different levels of conservation, land use, and social conditions. Recognizing this diversity is essential for formulating policies that reconcile environmental conservation, social inclusion, and economic prosperity.

    The COP30 Edition of Fatos da Amazônia was supported by Fundo Vale, Instituto Itaúsa, the Institute for Climate and Society (iCS), and the Gordon and Betty Moore Foundation.

    Read the full paper here.