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O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global

Desmatamento

O Brasil reúne as condições mais favoráveis do planeta para liderar a agenda climática global por meio da conservação, restauração florestal e silvicultura. Essa é a principal conclusão do estudo O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global, que apresenta dados consolidados sobre o papel estratégico das florestas brasileiras no enfrentamento da crise climática.

Segundo o documento, as florestas estão entre as soluções climáticas mais escaláveis e custo-efetivas disponíveis atualmente, sendo responsáveis por absorver cerca de um terço das emissões globais anuais de gases de efeito estufa provenientes da atividade humana. Sem florestas conservadas, manejadas e restauradas, o cumprimento das metas do Acordo de Paris torna-se inviável.

O Brasil ocupa posição central nesse cenário. O país detém a maior área contínua de florestas tropicais do mundo e concentra o maior potencial global de restauração florestal. Atualmente, são cerca de 500 milhões de hectares de florestas nativas, o equivalente a quase 60% do território nacional.

Dois cenários para 2035

O estudo projeta dois cenários para 2035. No cenário base, mantidos níveis médios de desmatamento, o país registraria perda aproximada de 1% no estoque de carbono das formações florestais.

No cenário potencial, com desmatamento ilegal próximo de zero até 2030, expansão da restauração e crescimento da silvicultura, o Brasil poderia gerar um ganho líquido de aproximadamente 1% no estoque de carbono, revertendo a curva histórica de perda florestal.

Esse avanço seria possível sem competir com a produção de alimentos. O levantamento indica que há extensas áreas desmatadas subutilizadas aptas a atender a expansão agropecuária e, simultaneamente, permitir a restauração florestal e o plantio comercial de árvores.

Código Florestal e instrumentos de mercado

O país já dispõe de arcabouço legal robusto para proteção das florestas, com destaque para o Código Florestal, que assegura Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais em propriedades rurais. Estima-se que 215 milhões de hectares estejam conservados ou reflorestados em imóveis rurais voltados à produção de alimentos.

O estudo também aponta mecanismos financeiros promissores para escalar a conservação, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, TFFF, e o REDD+ Jurisdicional. Ao lado desses instrumentos, políticas de comando e controle combinadas com ordenamento territorial já demonstraram eficácia histórica, como ocorreu entre 2004 e 2012, quando o desmatamento na Amazônia foi reduzido em 80%.

Restauração e silvicultura em expansão

A restauração florestal com espécies nativas desponta como nova fronteira econômica, atraindo capital privado e podendo alcançar milhões de hectares até 2035.

Já a silvicultura de espécies exóticas, considerada a mais competitiva do mundo, deve expandir sua área plantada de 4 milhões para até 6,2 milhões de hectares na próxima década, sobretudo em áreas anteriormente degradadas.

Além da captura de carbono, as florestas brasileiras exercem papel crucial na regulação do regime de chuvas, na segurança hídrica, na produção agrícola e na conservação da biodiversidade.

Para os autores, consolidar o protagonismo brasileiro exige combinar proteção efetiva contra o desmatamento ilegal, ampliação da restauração, fortalecimento da bioeconomia e criação de mecanismos financeiros capazes de transformar o capital natural em ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável.

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