
Fatos da Amazônia - 2026
O Fatos da Amazônia 2026 reúne e atualiza alguns dos principais indicadores ambientais, sociais e econômicos da Amazônia, oferecendo um panorama amplo das transformações recentes da região.

Apesar de ser nativo da Amazônia, o cacau foi, por muito tempo, associado a outras regiões do planeta. O fruto dominou o mercado europeu a partir de plantações na América Central e no Caribe. Mais recentemente, passou a ser associado a países Africanos. A Amazônia brasileira, um dos berços da fruta, tinha pouca participação no mercado global — e respondia por uma parcela ínfima da produção brasileira. O quadro mudou e, desde 2019, o Pará se tornou o maior produtor brasileiro do fruto, respondendo por aproximadamente metade do cacau nacional. Como garantir que o Cacau da Amazônia conquiste mais mercados?
No artigo Cacau fino ou commodity: opções para a Amazônia, o chef de cozinha e jornalista Roberto Smeraldi e a engenheira química e pesquisadora do Centro de Empreendedorismo da Amazônia Manuele Lima examinam as razões para o recente boom do cacau amazônico — e fazem um diagnóstico dos principais desafios enfrentados pelos empreendedores do setor para crescer.
Em 2021, o Pará deve produzir em torno de 140 mil toneladas de cacau. A maior parte desse conjunto é de cacau do tipo commodity. O sucesso do cacau no estado não foi resultado somente do aumento da produção, explicam os autores. A região se beneficiou de um trunfo único: a grande variedade genética do fruto naquela área. Calcula-se que existam mais de 20 mil variedades de cacau na Amazônia, um elemento fundamental para a qualidade do produto.
De acordo com os autores, um dos maiores desafios dessa década é o de valorizar as diferentes variedades de cacau que a Amazônia hospeda. Isso permitiria aos produtores aproveitar melhor uma vantagem já existente — e ser mais bem remunerados pelo cacau vendido. Além disso, a valorização dessa diversidade pode levar a uma malha de indicações geográficas e de origem e servir para dar sustentabilidade e resiliência ao cultivo do cacau mundialmente, frente às ameaças da mudança climática e a proliferação de pragas e doenças.
O diagnóstico está alinhado a uma tendência global. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Holanda – principal importador e processador de cacau no mundo – é possível identificar nove tendências estratégicas do mercado de cacau para a atual década:
Para avançar e conquistar maior número de mercados, sugere o estudo, os produtores de cacau da Amazônia precisam de investimento em treinamento e profissionalização.
Autores: Roberto Smeraldi e Manuele Lima dos Santos
Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202111.ed18
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