Blog

  • How Did Bolivia Take Over The Global Brazil Nut Market?

    How Did Bolivia Take Over The Global Brazil Nut Market?


    Download here

    For centuries, Brazilian companies dominated the Brazil nut (BN) market to the point that, in many languages, the product still bears the country’s name. In a surprising turnaround, in 2019, Brazilian companies accounted for only 11% of this market while companies in Bolivia maintained a 74% share. This despite operating in a country with more political turmoil, fewer
    economic resources, and more structural obstacles than its South American neighbor. This article examines how Bolivian companies managed to overcome these difficulties and prevail in the global Brazil nut market.

    The article identifies the decision of the European Union (EU) in 1998 to impose stricter sanitary import standards, especially those related to aflatoxin contamination, as the turning point in the industry’s trajectory in both Bolivia and Brazil.

    Soon after this decision, both Brazilians and Bolivians pleaded for exemption from the new rules, arguing that the requirements would decimate the industry, harm traditional communities dedicated to forest extraction, and allow for an increase in deforestation. European authorities listened to these requests but made no exceptions.

    Bolivian companies responded to this new reality effectively and immediately. First, the Bolivian government required exporters to submit negative tests for aflatoxin before receiving an export license. Second, companies located in Riberalta (Bolivia) have rehabilitated their business association and equipped it with a laboratory capable of checking the content of aflatoxins in nuts. The association found it could cover its expenses if it charged US$105 per test. However, it decided to set the price at US$300, an amount US$80 less than that charged by a commercial laboratory in La Paz, but which generated a surplus to help finance its operations.

    Taking advantage of its political representation and its financial autonomy, the association also acquired technical competence by hiring foreign consultants specialized in aflatoxin control. Finally, it used its resources to help local companies renovate their factories, develop new equipment, purchase supplies, train their staff, and adopt new management methods aimed at ensuring food quality and phytosanitary health. Thanks to these initiatives, the Bolivian industry maintained unrestricted access to the European market, and, in subsequent years, it began to expand its participation in other markets as well.

    In contrast, the Brazilian government was slow to act, Brazilian processors and exporters were unable to cooperate with each other and continued to ship contaminated batches to the EU. In response, European authorities increased the frequency of inspections until it reached 100% of the loads of shelled Brazil nuts. Finally, these conditions were so onerous and shipping cargo to Europe became so risky that Brazilian exporters gave up on this market.

    Today, Bolivia’s dominance is so extensive that its companies buy shelled (i.e., raw) nuts from Brazil at a negligible price, process and export them as unshelled nuts at much higher prices to the rest of the world. Since 2010, Bolivia has exported between US$ 1 million and US$ 2 million per year of shelled nuts to Brazil itself.

  • A Saúde na Amazônia Legal: Evolução Recente e Desafios em Perspectiva Comparada

    A Saúde na Amazônia Legal: Evolução Recente e Desafios em Perspectiva Comparada

    A Amazônia Legal cobre cerca de 5 milhões de km2, onde se manifestam de maneira extrema não apenas a fronteira da degradação ambiental no país, como também a da vulnerabilidade social e enormes desafios para o desenho e a implementação de políticas públicas. A população da região é heterogênea e ainda relativamente jovem. São cerca de 25 milhões de habitantes, que permanecem sobrerrepresentados na pobreza apesar da contínua expansão do agronegócio e da fronteira econômica.

    Dentre os maiores desafios para a Amazônia Legal, destacam-se os indicadores de saúde e de acesso a serviços de saúde. Por um lado, o perfil epidemiológico da região é reconhecidamente diverso e desafiador. De acordo com as Tábuas de Mortalidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano anterior ao do início da pandemia da Covid-19, a expectativa de vida ao nascer na Região Norte era a mais baixa do país – cerca de 2,6 anos menor que a do país como um todo e 1 ano inferior à da Região Nordeste. Por outro lado, a entrega de serviços de saúde na região é extremamente complexa por conta de sua geografia, pelo padrão de ocupação do território, dentre inúmeros outros fatores. Ainda, a capacidade de governos locais em financiar e implementar políticas públicas é reconhecidamente limitada pela escassez de recursos de toda ordem.

    Como superar estes desafios e avançar na saúde? Em particular, como fazer frente aos desafios que ainda estão por vir? Os serviços de saúde estão preparados para lidar com as necessidades que o envelhecimento populacional em breve lhes trará? Responder estas perguntas o quanto antes é fundamental uma vez que o desencontro entre necessidades crescentes e capacidades limitadas pode implicar restrições sérias ao avanço da expectativa de vida na região ao longo do tempo e na ampliação das desigualdades.

    Este estudo tem como objetivo contribuir para o debate ao caracterizar de maneira sistemática a evolução recente e o quadro atual da saúde da população da Amazônia Legal, bem como de sua rede assistencial, a disponibilidade de recursos e de profissionais de saúde, a infraestrutura física e a oferta de serviços, o financiamento e a governança regional. Utilizamos os microdados de alguns dos mais importantes sistemas de informação e bases de dados do Ministério da Saúde, IBGE e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para caracterizar a evolução de indicadores de saúde populacional, provisão de serviços, disponibilidade de recursos e financiamento em saúde na Amazônia Legal em comparação ao restante do país entre 2010 e 2019.

    A análise qualitativa teve como base pesquisa documental, revisão da literatura acadêmica e entrevistas com diversos atores envolvidos com políticas públicas de saúde na Amazônia Legal. No presente estudo, estas atividades tiveram como objetivo identificar padrões e fenômenos não cobertos pelos sistemas de informação e aumentar a compreensão dos dados levantados na análise quantitativa. Um estudo ainda em andamento reportará em detalhes os resultados da análise qualitativa com base nas entrevistas.

    Autores: Rudi Rocha, Marcela Camargo, Lucas Falcão, Mariana Silveira e Gabriela Thomazinho

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202111.ed20

    Créditos da imagem: Alejandro Zambrana/Sesai

  • Mandioca: Entre Subsistência e Negócio

    Mandioca: Entre Subsistência e Negócio

    A mandioca, um tubérculo domesticado pelas populações indígenas da Amazônia há mais de 9 mil anos, é uma planta-chave para a segurança alimentar. Rica em amido, pode ser cultivada em solos quimicamente pobres e resistir a secas prolongadas. Além disso, a demanda mundial de mandioca cresce ano a ano — em parte motivada pela procura crescente por alimentos sem glúten. Há um consenso de que a mandioca é estratégica para o desenvolvimento da Amazônia. Apesar disso, a cadeia da mandioca na região enfrenta desafios como produtividade média inferior à do resto do Brasil,  agregação de valor ainda incipiente e uma produção insuficiente para atender à demanda da própria região. Como superar esses entraves?

    Uma nova pesquisa, desenvolvida pelo projeto Amazônia 2030, examina a cadeia de produção de mandioca na Amazônia, seus desafios e potencialidades. No relatório Mandioca: entre subsistência e negócio, o chef de cozinha e pesquisador Roberto Smeraldi e a engenheira química e pesquisadora do Centro de Empreendedorismo da Amazônia Manuele Lima conversam com atores fundamentais para o cultivo da mandioca na região: pequenos produtores, processadores, vendedores e cientistas.  A investigação revela que, para disputar mercados mais competitivos, os produtores da Amazônia precisam incorporar tecnologia aos seus cultivos. 

    Apesar da origem amazônica, os cultivos de mandioca mais produtivos estão localizados nas regiões sudeste e sul do Brasil. Na região norte, as exceções são Rondônia e Acre, cuja produtividade média é próxima das registradas no sul e sudeste. A diferença entre esses dois estados e o restante da Amazônia está na tecnologia de adubação que seus produtores empregam, e na introdução de mecanização nos cultivos.

    A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima em aproximadamente 40 toneladas por hectare o rendimento ideal do cultivo da mandioca em condições favoráveis de clima e solo, disponíveis na Amazônia. Apesar dos resultados acima da média, mesmo Rondônia e Acre continuam longe desse patamar ideal: sua produtividade gira em torno de 23 toneladas por hectare. Há largo espaço para implementação de melhorias. 

    Otimismo e planos para o futuro

    Apesar dos problemas e da baixa produtividade, os atores ligados à cadeia da mandioca na Amazônia têm uma visão otimista do futuro, revela o estudo.  A diversidade de produtos que podem ser originados pela mandioca continua despertando interesse de produtores e empresas. A Fundação Amazonas Sustentável tem investido em levar a farinha de Uarini – com processo peculiar de fabricação que resulta num formato oval da granulação – ao mercado através de plataformas virtuais, como é o caso das Lojas Americanas. No Acre, houve investimento ao longo de mais de dez anos na criação e reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) para a farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul. O reconhecimento da Indicação Geográfica traz benefícios como a padronização do modo de fazer, o que contribui para proteger o conhecimento tradicional e organizar melhor os produtores.

    Por fim, há grande expectativa em relação ao tucupi — um subproduto da mandioca com grande aceitação entre chefes de cozinha e mercados consumidores fora da Amazônia. Uma das empresas que atuam na região, a Manioca chegou a desenvolver um tucupi de prateleira, que não precisa de refrigeração e é acondicionado em uma embalagem desenhada especificamente para venda no grande varejo.

    Os casos examinados sugerem que um dos caminhos desejáveis para a cadeia da mandioca na Amazônia envolve explorar para usos especializados a diversidade de variedades nativas e cultivares desenvolvidos. Para isso dar certo, no entanto, o aumento da produtividade é fator crítico. “A cadeia da mandioca como negócio requer o estabelecimento de indústrias, a diversificação de variedades aptas para diferentes produtos e o processamento especializado de subprodutos. Para tanto, é crítico que a região se torne autossuficiente em termos de consumo e ainda possa garantir um excedente expressivo”, escrevem os autores. 

    Autores: Roberto Smeraldi e Manuele Lima dos Santos

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202111.ed19

  • Cacau Fino ou Commodity: Opções para a Amazônia

    Cacau Fino ou Commodity: Opções para a Amazônia

    Apesar de ser nativo da Amazônia, o cacau foi, por muito tempo, associado a outras regiões do planeta. O fruto dominou o mercado europeu a partir de plantações na América Central e no Caribe. Mais recentemente, passou a ser associado a países Africanos. A Amazônia brasileira, um dos berços da fruta, tinha pouca participação no mercado global — e respondia por uma parcela ínfima da produção brasileira. O quadro mudou e, desde 2019,  o Pará se tornou o maior produtor brasileiro do fruto, respondendo por aproximadamente metade do cacau nacional. Como garantir que o Cacau da Amazônia conquiste mais mercados?

    No artigo Cacau fino ou commodity: opções para a Amazônia, o chef de cozinha e jornalista Roberto Smeraldi e a engenheira química e pesquisadora do Centro de Empreendedorismo da Amazônia Manuele Lima examinam as razões para o recente boom do cacau amazônico — e fazem um diagnóstico dos principais desafios enfrentados pelos empreendedores do setor para crescer. 

    Em 2021, o Pará deve produzir em torno de 140 mil toneladas de cacau. A maior parte desse conjunto é de cacau do tipo commodity.  O sucesso do cacau no estado não foi resultado somente do aumento da produção, explicam os autores. A região se beneficiou de um trunfo único: a grande variedade genética do fruto naquela área. Calcula-se que existam mais de 20 mil variedades de cacau na Amazônia, um elemento fundamental para a qualidade do produto. 

    De acordo com os autores, um dos maiores desafios dessa década é o de valorizar as diferentes variedades de cacau que a Amazônia hospeda. Isso permitiria aos produtores aproveitar melhor uma vantagem já existente — e ser mais bem remunerados pelo cacau vendido. Além disso, a valorização dessa diversidade pode levar a uma malha de indicações geográficas e de origem e servir para dar sustentabilidade e resiliência ao cultivo do cacau mundialmente, frente às ameaças da mudança climática e a proliferação de pragas e doenças.

    O diagnóstico está alinhado a uma tendência global. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Holanda – principal importador e processador de cacau no mundo – é possível identificar nove tendências estratégicas do mercado de cacau para a atual década: 

    1. Foco crescente sobre origem do cacau e do chocolate;
    2. Narrativa (storytelling) cada vez mais importante;
    3. Crescente demanda por chocolate bean-to-bar (com cultivo e processamento unificados);
    4. Encurtamento da cadeia devido a comércio direto;
    5. Aumento da preocupação com saúde e bem-estar;
    6. Controles devidos à regulação europeia sobre presença de cádmio;
    7. Aumento da influência das multinacionais que entram também no segmento de cacaus
      especiais;
    8. Sustentabilidade da produção em alta na agenda internacional;
    9. Programas de sustentabilidade cada vez mais comuns no setor privado.

    Para avançar e conquistar maior número de mercados, sugere o estudo, os produtores de cacau da Amazônia precisam de investimento em treinamento e profissionalização. 

    Leia o estudo completo aqui.

    Autores: Roberto Smeraldi e Manuele Lima dos Santos

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202111.ed18

  • A Década do Açaí

    A Década do Açaí

    Nos últimos 20 anos o açaí, uma palmeira típica das várzeas da Amazônia, experimentou um boom de popularidade. Em 2019, o mercado global do produto chegou a US$ 720 milhões — e a previsão é de que alcance US$ 2,1 bilhões até 2025. Apesar do prognóstico positivo, os produtores de açaí da Amazônia enfrentam dificuldades para se tornar competitivos. Faltam recursos importantes para o seu desenvolvimento: os desafios vão da falta de tecnologia para processamento e embalagem do produto à dificuldade de seguir padrões de qualidade que atendam intermediários e importadores. Conforme surgem plantios de açaí em outras regiões tropicais, essa escassez de recursos pode fazer com que os produtores de açaí da Amazônia fiquem para trás na disputa pelo mercado global do produto.

    Esse quadro é descrito no relatório “Amazônia: territórios da comida — a década do Açaí”. O estudo, realizado no âmbito do projeto Amazônia 2030, foi conduzido pelo chef de cozinha e jornalista Roberto Smeraldi, e pela engenheira química e pesquisadora do Centro de Empreendedorismo da Amazônia Manuele Lima. Os pesquisadores entrevistaram empreendedores que atuam na cadeia do açaí, de modo a analisar quais os principais desafios que, hoje, afetam o setor, e apontar caminhos possíveis para superá-los. 

    O trabalho mostra que a cadeia do açaí na Amazônia enfrenta dois grandes desafios. Primeiro, existe a perspectiva de concorrência com o açaí plantado em outros países tropicais, como é o caso da Indonésia e do sudeste asiático. Segundo,  ainda não há garantia de que a oferta de açaí na Amazônia crescerá sem pressionar a floresta: existem riscos de que o açaí plantado de terra firme acabe pressionando o desmatamento de novas áreas.

    Para superar essas incertezas, o estudo sugere que é preciso agregar valor ao produto.  O açaí tem potencial para ampliar sua participação na economia regional. Porém, é preciso avançar com adoção de um tripé de medidas:  melhorar os níveis de industrialização, educar o mercado quanto à variedade genética do produto e a diferenciação de origem, e afirmar padrões de qualidade, incluindo aspectos sanitários e socioambientais.

    Os entrevistados apontam que é essencial trabalhar para construir a reputação do açaí da Amazônia, permitindo o reconhecimento de indicações geográficas. Como disse um dos empreendedores consultados, é possível estabelecer “um Grand Cru de açaí Curralinho, Açaí do Baixo Tocantins, Açaí do Amapá”. 

    É possível, ainda, incorporar avanços tecnológicos. Na industrialização do açaí, tendência prevista por alguns é que haja uma revolução no processamento do fruto. Isso porque o açaí é um fruto muito perecível e que sofre oxidação entre colheita, transporte e processamento. Novas tecnologias, já disponíveis, permitiriam transformar o açaí em um produto de prateleira, que dispensa refrigeração.

    Além disso, conforme a produção de açaí cresce, é necessário garantir que ela ocorra segundo padrões compatíveis com a floresta. Para isso, certificações de produção orgânica e selos socioambientais são importantes.  

    Segundo os autores do trabalho, para garantir tais avanços — que são onerosos para um produtor individual, ao mesmo tempo em que são benéficos para todo o setor — os empreendedores da cadeia do açaí podem se associar em arranjos pré-competitivos: acordos segundo os quais empresas concorrentes se unem para prover recursos de uso comum, sem, no entanto, deixar de competir entre si. 

    Autores: Roberto Smeraldi e Manuele Lima

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202111.ed17

  • Amazônia: Territórios da Comida

    Amazônia: Territórios da Comida

    Nos últimos anos, o cenário de negócios relacionados à comida na Amazônia Legal se expandiu. Surgiram startups e produtores que se modernizaram para suprir, com qualidade, mercados exigentes. Lar de algo entre 10% e 15% de toda a biodiversidade do planeta, a Amazônia reúne mais de 2 mil variedades de cacau, 140 variedades de mandioca, 114 tipos de mel de abelhas nativas, dentre centenas de outros itens de uma lista extensa. A combinação dessa biodiversidade rica com negócios dispostos a crescer tem potencial para desenvolver a economia da região. Como tornar isso possível?

    Um novo estudo do projeto Amazônia 2030 tenta responder essa questão. No relatório “Territórios da Comida”, o professor associado da Universidade de Nova York Salo Coslovsky, o chef de cozinha e jornalista Roberto Smeraldi, e a engenheira química e pesquisadora do Centro de Empreendedorismo da Amazônia Manuele Lima avaliam a possibilidade de a Amazônia tornar-se uma marca associada a ingredientes novos, capaz de pautar tendências gastronômicas no Brasil e no mundo. Um lugar capaz de abrigar aquilo que os pesquisadores batizaram de “territórios da comida”: regiões capaze de inovar e de gerar riqueza e qualidade de vida para seus habitantes, mantendo a floresta em pé. 

    Para isso acontecer, sugere o estudo, é preciso garantir que os empreendedores da Amazônia tenham acesso a bens e recursos que, hoje, são escassos na região — como bons fornecedores, mão-de-obra qualificada para realização de atividades específicas e conhecimentos sobre técnicas de produção. Itens que os pesquisadores batizaram de Recursos Compartilhados Setoriais. (ReCS)  (veja mais no gráfico ao final do texto)

    Dificuldade para crescer

    Há indícios fortes de que a Amazônia pode abrigar territórios da comida. Análises anteriores do grupo revelaram a importância econômica do chamado “sistema comida” para a região: mais de 33% dos profissionais ocupados na Amazônia Legal trabalham em atividades ligadas a produção, processamento, comercialização ou descarte de alimentos. Em termos relativos, trata-se de um contingente muito maior do que o verificado no restante do Brasil — que emprega cerca de tantos 24% da força de trabalho no setor comida.

    Além disso, a Amazônia já exporta 64 artigos — muitos deles, gêneros alimentícios — que podem ser produzidos de maneira compatível com a floresta e que movimentam um mercado global avaliado em US$ 176 bi anuais. 

    A criação de territórios da comida foi uma estratégia adotada com sucesso por países como Itália e França. No Peru, lembram os pesquisadores, campanhas bem-sucedidas transformaram a cozinha do país em referência para o mundo. 

    Para investigar se as cadeias associadas à comida poderiam alavancar a economia amazônica, os pesquisadores conduziram entrevistas aprofundadas com 45 empreendedores já atuantes na Amazônia. São empresários do sistema comida cujos negócios experimentam relativo sucesso.

    As conversas revelam que todos têm planos de expansão. É o caso, por exemplo: 

    1-Das empresas que produzem chocolate, seja com cacau nativo (De Mendes, Na Floresta), seja plantado (Cacauway), e que planejam ampliar sua capacidade produtiva ou rede de distribuição.

    2- Da Combu, uma empresa que distribui produtos amazônicos em São Paulo e região Sudeste, tem planos de entrar no ramo de comidas prontas para bares e restaurantes.

    3- Da Manioca, que passou a abastecer as gôndolas das principais redes de varejo do Brasil com produtos amazônicos, e segue ampliando seu leque de produtos.

    4- Da Nossa Fruits, que comercializa açaí para a França e pretende abrir sua própria planta industrial  processadora de açaí na Ilha do Marajó (PA). A empresa planeja usar o mesmo maquinário para processar outros produtos (óleos e extratos) para a indústria de cosméticos.

    Apesar do otimismo dos entrevistados, existem entraves ao crescimento desses negócios. Hoje, os empreendedores da comida que atuam na Amazônia desempenham uma espécie de duplo papel. Além de tocar os próprios empreendimentos, muitos ainda se encarregam de financiar Recursos Compartilhados Setoriais (ReCS). Artigos que são importantes para os seus negócios mas que, uma vez disponíveis, beneficiam também seus concorrentes. “É o caso de uma campanha publicitária para promover uma certa variedade de farinha”, exemplifica o chef Smeraldi. “O investimento pode ser feito por uma única empresa. Mas todos os produtores do artigo saem ganhando”. 

    Na avaliação dos pesquisadores, prover ReCS é uma tarefa “ingrata”. A disponibilidade de ReCs pode definir o sucesso futuro —ou o fracasso — desses empreendimentos.  “Os recursos compartilhados setoriais são peça-chave para entender o que está acontecendo ou o que pode acontecer na Amazônia”, afirma Coslovsky.

    Na impossibilidade de o Estado preencher essa lacuna, a pesquisa aponta que uma saída possível é a criação de Arranjos Pré-Competitivos. Acordos estabelecidos entre empresas concorrentes de um mesmo setor, que se unem para prover recursos compartilhados sem deixar de competir entre si.

    Negócios do encontro

    Outra característica marcante dos empreendimentos na Amazônia diz respeito à maneira como esses negócios costumam começar. A maioria dos casos analisados surgiu a partir do encontro entre um amazônida — que conhece a região, seus ingredientes e cultura — e uma pessoa de fora da Amazônia, ou que passou algum tempo distante da região. “Muitos amazônidas – por razões variadas – têm dificuldade em identificar e valorizar o potencial de sua região. Somente quando saem para algum intercâmbio ou visita, é que as oportunidades potenciais da Amazônia ficam mais explicitas. E o mesmo vale para pessoas de fora que não conseguem identificar ou sequer apoiar oportunidades e modalidades de negócio por desconheceram a região”, diz o estudo. 

    Na maioria dos casos, esses encontros acontecem de maneira pouco planejada. Os pesquisadores avaliam que a criação de programas de intercâmbio, que pudessem estimular e viabilizar esses encontros, ajudaria a impulsionar o ecossistema de negócios na Amazônia. 

    Autores: Salo V. Coslovsky, Roberto Smeraldi e Manuele Lima dos Santos

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202111.ed16

  • The Dynamic Nature of Employment And Income in The Legal Amazon: Highly Skilled And Leadership Occupations

    The Dynamic Nature of Employment And Income in The Legal Amazon: Highly Skilled And Leadership Occupations


    Download here

    This is the fourth in a series of four notes reporting the results of the study entitled The Dynamic Nature of Employment and Income in the Legal Amazon developed under the Amazônia 2030 project (AMZ 2030). The study deepens the discussion on the economic vitality of the Legal Amazon, based on the identification of occupations and sectors that have contributed the most to employment and income generation in the region in the recent period (2012-2019). The paper uses data from the Continuous National Household Sample Survey Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua) conducted by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) and continues the research on the dynamics of the Labor Market in the Legal Amazon, the first in the series of AMZ 2030 publications. This note presents the results of the study of both high skilled occupations and occupations in which professionals play a leadership role.

    The main results of the analysis of the evolution of occupations that require higher skills and a leadership role in the region show: (i) a significant reduction in employment in these occupations, especially for scientists and engineers, and company directors and managers; and (ii) that this decrease in employment has been particularly pronounced for young workers (aged 18 to 29). These results illustrate the low capacity of the Legal Amazon to attract and retain talent.

    Download the file to read the full paper.

  • The Dynamic Nature of Employment And Income in The Legal Amazon: The Public Sector

    The Dynamic Nature of Employment And Income in The Legal Amazon: The Public Sector


    Download here

    This is the second in a series of four notes that report the results of the study The Dynamic Nature of Employment and Income in the Legal Amazon carried out under the Amazon 2030 project (AMZ 2030). The study includes a detailed discussion of the economic vitality of the Legal Amazon based on the identification of occupations and sectors that have recently (2012-2019) contributed most to employment and income generation in the region. The work uses data from the Continuous National Household Sample Survey (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD-Contínua) conducted by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) and expands on the research on the dynamics of the Job Market in the Legal Amazon, which began the series of AMZ 2030 publications. In this note, we present the results of the study as they pertain to occupations associated with the public sector in the Amazon region. This choice of perspective is meant to portray the importance of the public sector as a source of economic dynamism for the Legal Amazon, considering that activities related to the private sector have failed to generate jobs at the regional level.

    The study on the evolution of public sector employment in the Legal Amazon is quite revealing. We highlight three key results. First: the number of people employed in the main occupations related to the public sector grew 21.6% between 2012 and 2019, which is four times the total increase in employment for the region, with wage gains also much higher than in the rest of the economy. Second: health, education and security professions experienced the greatest employment growths in the region. Third: there is significant variation in the results across states, especially vis-à-vis the pattern of public servants’ salaries. These results indicate an increasing presence of the public sector in the Legal Amazon, with potentially relevant effects on the State’s ability to sustain such employment dynamics. The feasibility of financing such dynamism in public employment in the region over the coming decades is definitely an issue worth addressing.

    Download the file to read the full paper.

  • The Dynamic Nature of Employment And Income in The Legal Amazon: Services

    The Dynamic Nature of Employment And Income in The Legal Amazon: Services


    Download here

    This is the third in a series of four notes that report the results of the study The Dynamic Nature of Employment and Income in the Legal Amazon carried out under the Amazon 2030 project (AMZ 2030). The study includes a detailed discussion of the economic vitality of the Legal Amazon based on the identification of occupations and sectors that have recently (2012-2019) contributed most to employment and income generation in the region. The work uses data from the Continuous National Household Sample Survey (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD-Contínua) conducted by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) and expands on the research on the dynamics of the Labor Market in the Legal Amazon, which began the series of AMZ 2030 publications. In this note, we present the results of the study as they pertain to the service sector in the Amazon region.

    An in-depth analysis of the evolution of the service sector shows that: (i) in contrast to the low growth trajectory of total employment in the region, the service sector experienced a significant rise – in fact, the absolute variation of employment in the service sector was higher than the variation for the entire Legal Amazon between 2012 and 2019; (ii) in the “services” occupations, the “salespeople” category stood out the most, showing exceptional growth rates; (iii) the highest level of dynamism in the service sector was concentrated in people who have completed at least upper secondary education, at the expense of a retraction in the employment of people with lower educational attainment, thus reinforcing income inequality in the region. This situation shows that the region’s economic dynamism occurs mainly in urban activities, which are not related to the forest.

    Download the file to read the full paper.

  • Increasing Cattle Productivity in The Amazon Requires New Technologies

    Increasing Cattle Productivity in The Amazon Requires New Technologies


    Download here

    Cattle ranching is associated with deforestation in the Amazon region – a large part of the deforested areas have been converted to pasture. This pattern of extensive cattle ranching in the Amazon region is distinguished from the rest of Brazil. While the rest of Brazil uses less pasture over time for livestock production, the opposite is happening in the Amazon region, with an expansion of the pasture area (Figure 1). However, the role of livestock as a cause of deforestation is less evident. On the one hand, the expansion of the activity in the region can
    lead to deforestation. On the other hand, land grabbing has used livestock as part of the process of occupation of the territory. In this case, livestock would be more a consequence of and grabbing and deforestation than a cause.

    In this context, reducing the conversion of forests into pastureland while protecting or increasing rancher’s livelihoods is one of the main challenges for promoting sustainable development in the Legal Amazon. A key component to achieving this goal is increasing pasture productivity

    This brief summarizes the findings from Climate Policy Initiative/Pontifical Catholic University (CPI/PUC-Rio) that calculates the potential for increasing pasture productivity in the Legal Amazon by disseminating technologies that are widely used in just some parts of the region to all parts of the region.

    Agronomic models estimate that it is possible to nearly triple Brazil’s pasture productivity through a combination of better management and ranching intensification. From the point of view of public policies, it is important to understand the origin of the productivity gains identified in the agronomic models. Are these gains mainly found in the dissemination of practices already widely used in some high-productivity municipalities? Or do they require the introduction of production models that use practices not widely used in the Legal Amazon? This
    distinction has important implications for both the design of agricultural policies and, for example, for training policies and the dissemination of new technologies.

    CPI/PUC-Rio researchers show that livestock productivity is quite homogeneous in the region, with a predominance of land extensive production, little use of inputs (based on data from the 2017 Agricultural Census, just 12% of the properties used machines and only 3% used liming to correct the soil for pasture), and overall low levels of productivity. This uniformity translates into small benefits from disseminating the practices already used in the most productive municipalities in the Legal Amazon to the other municipalities in the region. Researchers
    calculate that this kind of dissemination could increase the value of its livestock production without increasing deforestation in the Legal Amazon by 17.6-29.4%

    Although the estimated productivity gain is relevant, it is substantially less than the potential identified in the agronomic literature. It is also considerably less than the potential for productivity gains in Brazilian agriculture, as calculated in previous work by CPI/PUC-Rio.6 This indicates that the achievement of major productivity gains for cattle ranching in the Legal Amazon will require the introduction of a new business model with the dissemination of techniques and technologies not yet used in scale in the region and also the fight against activities such as land grabbing that has used extensive and not very productive livestock farming as part of its
    processes.