
Fatos da Amazônia - 2026
O Fatos da Amazônia 2026 reúne e atualiza alguns dos principais indicadores ambientais, sociais e econômicos da Amazônia, oferecendo um panorama amplo das transformações recentes da região.

A pecuária brasileira, hoje responsável pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa do país, pode ser também a principal alavanca para reduzir o desmatamento e acelerar a transição climática no Brasil. Essa é a principal conclusão do novo estudo “Como a Pecuária Pode Liderar a Ação Climática do Brasil”, publicado pelo projeto Amazônia 2030.
Segundo o levantamento, a criação de gado bovino ocupa 64% da área agropecuária do país — mais de 160 milhões de hectares —, mas gera apenas 17% do valor bruto da produção agropecuária. Na Amazônia Legal, 80% da área agropecuária (75 milhões de hectares) está ocupada por pastagens, das quais 54% estão degradadas. Esse modelo extensivo e de baixa produtividade está associado aos principais vetores de desmatamento da Amazônia e do Cerrado.
“O estudo mostra que aumentar a produtividade da pecuária nas áreas já abertas, com apoio técnico e crédito bem direcionado, é mais eficiente e barato do que continuar desmatando”, explica Paulo Barreto, pesquisador do Imazon e coautor do estudo. Com políticas bem desenhadas, é possível manter a produção, reduzir emissões e conservar a floresta.
O estudo apresenta três diretrizes centrais para alinhar a pecuária às metas climáticas e à Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil:
A pecuária bovina é a principal fonte de emissões do setor agropecuário, que responde por cerca de 75% das emissões de GEE do Brasil. A degradação ambiental tem impacto direto sobre a economia: segundo o Banco Central, a pecuária é o setor mais exposto ao risco de transição climática, com uma carteira de crédito estimada em R$ 130 bilhões (2022). Eventos climáticos extremos já afetam a estabilidade financeira do país e 44% das instituições financeiras relataram impactos em 2024.
Para os pesquisadores, a COP30, que será realizada em Belém em novembro de 2025, representa uma oportunidade histórica para o Brasil apresentar ao mundo um plano sólido de transição climática ancorada na pecuária de baixo carbono. “A transição para uma pecuária mais eficiente e livre de desmatamento é não apenas possível, mas necessária para o futuro da Amazônia e do clima global”, reforça Barreto.

O Fatos da Amazônia 2026 reúne e atualiza alguns dos principais indicadores ambientais, sociais e econômicos da Amazônia, oferecendo um panorama amplo das transformações recentes da região.

A Amazônia Legal pode ampliar sua produção agropecuária sem a necessidade de converter novas áreas de floresta. Essa é a principal conclusão do estudo "Agricultura na Amazônia Legal: condições de produtividade, riscos climáticos e propostas para produzir melhor em áreas já abertas", de Paulo Barreto, Ritaumaria Pereira e…

A pecuária ocupa 64% da área agropecuária do Brasil, mas contribui com apenas 17% do valor bruto da produção do setor, refletindo um uso ineficiente da terra e desafios estruturais.
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