Tag: desmatamento

  • Como a Pecuária Pode Liderar a Ação Climática do Brasil

    Como a Pecuária Pode Liderar a Ação Climática do Brasil

    A pecuária brasileira, hoje responsável pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa do país, pode ser também a principal alavanca para reduzir o desmatamento e acelerar a transição climática no Brasil. Essa é a principal conclusão do novo estudo “Como a Pecuária Pode Liderar a Ação Climática do Brasil”, publicado pelo projeto Amazônia 2030.

    Segundo o levantamento, a criação de gado bovino ocupa 64% da área agropecuária do país — mais de 160 milhões de hectares —, mas gera apenas 17% do valor bruto da produção agropecuária. Na Amazônia Legal, 80% da área agropecuária (75 milhões de hectares) está ocupada por pastagens, das quais 54% estão degradadas. Esse modelo extensivo e de baixa produtividade está associado aos principais vetores de desmatamento da Amazônia e do Cerrado.

    “O estudo mostra que aumentar a produtividade da pecuária nas áreas já abertas, com apoio técnico e crédito bem direcionado, é mais eficiente e barato do que continuar desmatando”, explica Paulo Barreto, pesquisador do Imazon e coautor do estudo. Com políticas bem desenhadas, é possível manter a produção, reduzir emissões e conservar a floresta.

    Três recomendações para uma pecuária mais sustentável

    O estudo apresenta três diretrizes centrais para alinhar a pecuária às metas climáticas e à Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil:

    1. Focar investimentos em zonas de maior impacto — Áreas num raio de até 60 km dos frigoríficos concentram 96% da capacidade de abate e já têm melhor infraestrutura e menos embargos. Priorizar políticas nessas regiões acelera ganhos de produtividade e reduz a pressão sobre a floresta.
    2. Reorientar crédito rural com metas de produtividade e clima — Apenas 30% dos R$ 8,5 bilhões contratados em 2023 na Amazônia foram para ações que aumentam produtividade. Direcionar melhor esses recursos permitiria recuperar 216 mil hectares de pasto por ano, evitando o equivalente à expansão média dos últimos 10 anos e reduzindo em até 74% as emissões diretas por kg de carne.
    3. Eliminar incentivos ao desmatamento especulativo — Destinar cerca de 50 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas (19 milhões federais e 31 milhões estaduais) para conservação, demarcação de terras indígenas e áreas protegidas. Isso atacaria a raiz do desmatamento ilegal e reduziria riscos financeiros para o país.

     

    A pecuária bovina é a principal fonte de emissões do setor agropecuário, que responde por cerca de 75% das emissões de GEE do Brasil. A degradação ambiental tem impacto direto sobre a economia: segundo o Banco Central, a pecuária é o setor mais exposto ao risco de transição climática, com uma carteira de crédito estimada em R$ 130 bilhões (2022). Eventos climáticos extremos já afetam a estabilidade financeira do país e 44% das instituições financeiras relataram impactos em 2024.

    Para os pesquisadores, a COP30, que será realizada em Belém em novembro de 2025, representa uma oportunidade histórica para o Brasil apresentar ao mundo um plano sólido de transição climática ancorada na pecuária de baixo carbono. “A transição para uma pecuária mais eficiente e livre de desmatamento é não apenas possível, mas necessária para o futuro da Amazônia e do clima global”, reforça Barreto.

  • When the Rivers Run Dry: How Amazon Deforestation Threatens the Brazilian Economy

    When the Rivers Run Dry: How Amazon Deforestation Threatens the Brazilian Economy


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    The Amazon Rainforest is not only an environmental treasure but also an invaluable economic asset for Brazil. A new report by the Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio) and the Amazônia 2030 project shows how deforestation in the Amazon impacts the so-called flying rivers — moisture currents formed by the forest’s evapotranspiration — compromising water supply and climate stability in several regions of the country.

    According to the study, the loss of forest cover already generates billions of reais in annual economic damage, especially to the energy sector. Hydropower plants such as Itaipu and Belo Monte alone have lost the potential to generate 3,700 GWh per year — equivalent to the total electricity consumption of the entire state of Rondônia — representing more than R$ 1 billion in annual losses.

    Impacts across multiple sectors

    The report reveals that the effects of deforestation also threaten other key sectors beyond energy:

    • Water supply: critical systems like Cantareira (SP) lie along the path of the flying rivers and could face reduced water availability, especially during drought periods.

    • Agriculture: rain-dependent crops such as soy, corn, and sugarcane face increasing risks; drought-related losses reached R$ 186 billion between 2013 and 2022.

    • Wildfires: reduced rainfall weakens vegetation resilience, increasing fire risks — more than 30 million hectares were affected in 2024.

    • Waterways: record droughts have disrupted grain transportation, potentially undermining Brazil’s competitiveness in global trade.

    Keeping the forest standing as a national strategy

    The researchers warn that by 2050, up to 47% of the Amazon may experience disturbances that would irreversibly compromise the provision of ecosystem services.

    “Protecting the Amazon is not just an environmental agenda — it is a strategic imperative for Brazil’s energy, water, and food security,”
    say authors Gustavo Pinto and João Pedro Arbache, from CPI/PUC-Rio.

    The study underscores that public policies to curb deforestation — such as PPCDAm, which reduced the forest destruction rate fivefold between 2004 and 2014 — are essential to keeping the country on a sustainable growth trajectory.

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  • Quando a Fonte Seca: as Ameaças do Desmatamento para a Economia Brasileira

    Quando a Fonte Seca: as Ameaças do Desmatamento para a Economia Brasileira

    A Floresta Amazônica não é apenas um patrimônio ambiental, mas um ativo econômico de valor inestimável para o Brasil. Um novo relatório do Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio) e do projeto Amazônia 2030 mostra como o desmatamento da Amazônia impacta os chamados rios voadores — correntes de umidade formadas pela evapotranspiração da floresta — e comprometem água e estabilidade climática em diversas regiões do país.

    De acordo com o estudo, a derrubada da floresta já gera prejuízos anuais bilionários, especialmente no setor elétrico. Somente as hidrelétricas de Itaipu e Belo Monte perderam juntas potencial de gerar 3.700 GWh por ano, o equivalente ao consumo de energia elétrica de todo o estado de Rondônia, o que representa mais de R$ 1 bilhão em perdas anuais.

    Impactos em múltiplos setores

    O relatório revela que os efeitos do desmatamento ameaçam também outros setores,além da energia:

    • Abastecimento de água: sistemas críticos, como o Cantareira (SP), estão no caminho dos rios voadores e podem ter sua oferta comprometida especialmente em períodos de seca.
    • Agropecuária: dependente da chuva, a produção de soja, milho e cana-de-açúcar sofre riscos crescentes; as perdas decorrentes das secas somaram R$ 186 bilhões entre 2013 e 2022.
    • Incêndios: a redução das chuvas diminui a resiliência da vegetação, ampliando os riscos de queimadas que já afetaram mais de 30 milhões de hectares em 2024.
    • Hidrovias: estiagens recordes têm prejudicado o transporte de grãos, potencialmente impactando a competitividade do Brasil no comércio internacional.

    Floresta em pé como estratégia nacional

    Os pesquisadores alertam que, até 2050, até 47% da floresta pode sofrer distúrbios que comprometeriam de forma irreversível a oferta de serviços ecossistêmicos. “A proteção da Amazônia não é apenas uma pauta ambiental, mas um imperativo estratégico para a segurança energética, hídrica e alimentar do Brasil”, afirmam os autores Gustavo Pinto e João Pedro Arbache, do CPI/PUC-Rio

    O estudo reforça que políticas públicas de combate ao desmatamento — como o PPCDAm, responsável por reduzir a taxa de destruição da floresta em cinco vezes entre 2004 e 2014 — são fundamentais para manter o país em rota de crescimento sustentável.

  • Deforestation Cuts The Lights: Itaipu, Belo Monte, And The Cost of Forest Loss

    Deforestation Cuts The Lights: Itaipu, Belo Monte, And The Cost of Forest Loss


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    Brazil’s two largest hydroelectric power plants (HPPs), Itaipu and Belo Monte, play essential roles in the country’s electricity sector. With respective installed capacities of 14 GW and 11.2 GW, they account for around 11% of Brazil’s electricity generation capacity. However, the full realization of the plants’ potential depends on water availability in the rivers on which they are located.

    Deforestation of the Amazon forest modifies rainfall in hydrographic basins both inside and outside this biome, reducing river flow and negatively affecting the HPPs’ power generation.

    Researchers from the Climate Policy Initiative/Pontifical Catholic University of Rio de Janeiro (CPI/PUC-RIO) and Amazon 2030 have analyzed the impact of changes in rainfall patterns, caused by deforestation, on the electricity generation—and associated revenues—of the Itaipu and Belo Monte HPPs. This analysis has identified that, together, the HPPs are losing 3,780 GWh in energy generation potential per year due to deforestation. This is equivalent to the electricity consumption of approximately 1.5 million people and around US$ 200 million in revenue for the HPPs.

    Hydropower has historically been Brazil’s primary source of electricity, accounting for 48.6% of the country’s installed capacity and 60.2% of total generation in 2023.¹ This publication explores two case studies to show how changes in hydrological regimes, as a result of Amazon deforestation, have exposed the vulnerability of Brazil’s two largest HPPs, testing the resilience of the country’s overall electricity mix. Each case evaluates the effects of Amazon deforestation on the respective plants.

    Itaipu, the country’s largest HPP, is located on the border between the Brazilian state of Paraná and Paraguay, more than 1,000 kilometers outside the Amazon biome. The plant represents 6% of Brazil’s electricity mix and generated the equivalent of 15.7% of the country’s total energy consumption in 2023.² In that same year, Itaipu HPP’s average loss of annual electricity generation potential, induced by deforestation, was estimated at 1,380 GWh. This translates into a loss of approximately US$ 86 million in revenue per year—around 6% of the plant’s recent annual average profit.

    The second case study conducts the same analysis for Belo Monte HPP, Brazil’s second-largest HPP, located in the state of Pará, within the Amazon biome. The plant accounts for 5% of the national electricity mix, supplying 5.9% of all energy used in the country in 2023.³ The average loss of annual electricity generation potential due to deforestation is estimated at 2,400 GWh. This translates into an annual loss of US$ 110 million in revenue—approximately 20% of the plant’s earnings before interest, taxes, depreciation, and amortization (EBITDA).

    The report also identifies the areas of the Amazon that influence the electricity generation of the Itaipu and Belo Monte plants. The area affecting Belo Monte HPP is more concentrated than that affecting Itaipu HPP, which is influenced by air currents with trajectories that extend over several regions of Brazil. Identifying the areas that most affect energy generation can guide better implementation of conservation and restoration policies, allowing the appropriate targeting of resources to mitigate the adverse effects on the energy sector.

    The results show that Brazil’s largest HPPs are already being affected by Amazon deforestation. This creates a strategic necessity for the electricity sector to actively participate in the country’s environmental agenda. Greater definition and integration of strategies that reconcile forest conservation and restoration policies with electricity generation policies are crucial for the security of the electricity sector and for boosting forest restoration.

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  • O Desmatamento Corta a Luz: Itaipu, Belo Monte e o Preço da Floresta Perdida

    O Desmatamento Corta a Luz: Itaipu, Belo Monte e o Preço da Floresta Perdida

    O desmatamento na Amazônia está custando caro para o Brasil. Um estudo inédito do Climate Policy Initiative/PUC-Rio (CPI/PUC-Rio) e do Amazônia 2030 identifica que as usinas de Itaipu e Belo Monte perdem juntas, por ano, energia suficiente para abastecer 1,5 milhão de pessoas como consequência do desmatamento na Amazônia. A perda energética gera prejuízo anual de mais de R$ 1 bilhão em receita para as usinas.

    “A energia hidrelétrica é uma fonte de geração renovável, barata e que traz maior flexibilidade para operar o sistema elétrico. Mas é também uma fonte bastante vulnerável às alterações nos regimes de chuva. O desmatamento na Amazônia afeta não somente a área desmatada, mas impacta negativamente usinas a quilômetros de distância do bioma.”, explica Gustavo Pinto, analista sênior do CPI/PUC-Rio.

    Itaipu é a maior usina hidrelétrica do Brasil e está situada no estado do Paraná, a mais de 1.000 km de distância da fronteira do bioma Amazônia. Mesmo distante, a usina tem sofrido com uma perda potencial de geração média de 1.380 GWh e de R$ 500 milhões em receita por ano. A perda de energia, advinda do desmatamento, é equivalente ao consumo de 552 mil brasileiros em 2023.

    No caso de Belo Monte, a segunda maior hidrelétrica do país, que está localizada dentro do bioma Amazônia, a perda potencial média de geração por conta do desmatamento é 2.400 GWh e R$ 638 milhões em receita por ano. A energia perdida equivale ao consumo de 956 mil brasileiros em 2023.

    Juntas, as duas usinas representam 23% da geração hidráulica da matriz elétrica brasileira. Como as usinas são do tipo fio d’água, dependem do fluxo natural dos rios e do regime de chuvas.

    A floresta Amazônica influencia os padrões de chuva através do mecanismo conhecido por rios voadores. Correntes de ar carregadas de umidade levam água da Amazônia em direção à Cordilheira dos Andes no sentido norte-sul, garantindo o abastecimento de rios e a irrigação das plantações. Quando as correntes de ar atravessam áreas desmatadas, perdem umidade com mais facilidade, reduzindo a incidência de chuva ao longo do caminho das correntes. Com isso, a vazão dos rios é reduzida e, por consequência, a capacidade de geração hidrelétrica nas usinas também.

    “O desmatamento na Amazônia ameaça a matriz elétrica, pois os impactos gerados nas usinas são bastante significativos. Somado a isso, temos ainda o aumento da frequência de eventos climáticos extremos e escassez hídrica, o que torna o futuro da matriz elétrica nacional ainda mais desafiador.”, destaca Pinto.

    O estudo identifica as áreas da Amazônia que são atravessadas pelas correntes de ar essenciais para a geração de energia nas duas usinas. No caso de Itaipu, 17% da área mais relevante para sua operação já foram desmatados. Analisando os 5% da área da floresta mais relevante para a geração de eletricidade na usina, o valor de conservação da floresta é R$ 12.990,6/km².

    No caso de Belo Monte, 13% da área da floresta mais relevante para a operação da usina já foram desmatados. Nos 5% de área mais relevante para geração de energia, a região desmatada sobe para 27%, e o valor de conservação da floresta é R$ 85.395/km².

    “A identificação das áreas que mais influenciam a geração de energia das usinas é importante para orientar a implementação de políticas de conservação e restauração de modo mais eficiente e o direcionamento de recursos para mitigar os efeitos adversos da geração de energia do país.”, destaca João Arbache, analista do CPI/PUC-Rio.

    Arbache explica também a importância de considerar as categorias fundiárias de cada área para garantir que sejam propostas soluções adequadas às necessidades de cada área.

    A hidroeletricidade é a principal fonte de energia do Brasil, responsável por 60% da geração de energia em 2023. Os pesquisadores explicam que, se continuarmos com as perdas de energia das hidrelétricas, a capacidade de o Sistema Interligado Nacional (SIN) atender à demanda nacional pode ser comprometida.

    “O setor elétrico precisa investir na conservação da Amazônia. A proteção da floresta é fundamental para a estabilidade do fornecimento de energia e para evitar prejuízos econômicos para as hidrelétricas.”, destaca Pinto.

  • Lições da Expansão da Pecuária Bovina no Brasil (2000-2023) Para Uma Produção Sustentável e Eficiente

    Lições da Expansão da Pecuária Bovina no Brasil (2000-2023) Para Uma Produção Sustentável e Eficiente

    A pecuária ocupa 64% da área agropecuária do Brasil, mas contribui com apenas 17% do valor bruto da produção do setor, refletindo um uso ineficiente da terra e desafios estruturais. Um estudo inédito do projeto Amazônia 2030 analisa a expansão da pecuária entre 2000 e 2023 e aponta caminhos para transformar o setor, garantindo maior produtividade e sustentabilidade.

    O levantamento destaca que 64% das pastagens (105 milhões de hectares) apresentam qualidade baixa ou intermediária e que o setor foi responsável por 51% das emissões de gases de efeito estufa do país, principalmente devido ao desmatamento. Entre 2000 e 2023, a pecuária brasileira passou por avanços importantes no que tange a sua produtividade, impulsionada por incentivos econômicos e pressões ambientais, mas ainda enfrenta entraves estruturais.

    O estudo, conduzido pelos pesquisadores Paulo Barreto, Arthur José da Silva Rocha, Amintas Brandão, Ritaumaria Pereira e Gabriel Salles Barreto, destaca que políticas como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e a Moratória da Soja reduziram o desmatamento em cerca de 80% entre 2003 e 2012, favorecendo práticas mais produtivas. No entanto, o crescimento da atividade ainda pressiona a floresta: para cada hectare de pastagem reformado no Brasil, um hectare de floresta foi derrubado, e na Amazônia esse número sobe para 2,35 hectares. Em contra partida, apenas 0,2% dos pastos degradados foram reformados.

    A pesquisa também aponta que a oferta de crédito rural cresceu, mas permanece mal distribuída. Em 2023, apenas 23% dos recursos foram aplicados em produtividade, como recuperação de pastagens e inseminação artificial, enquanto a maior parte foi direcionada à compra de gado, sem metas ambientais ou produtivas robustas.

    Com um estoque de R$ 1 trilhão em crédito privado subsidiado sem exigências sustentáveis, o estudo destaca que há um enorme potencial para alavancar práticas mais responsáveis no setor.

    Recomendações para um setor mais sustentável

    O estudo propõe um conjunto de recomendações para reverter esse quadro, incluindo:

    • Fortalecer o combate ao desmatamento e garantir a destinação correta de terras públicas;
    • Condicionar o crédito rural a metas de produtividade e sustentabilidade, com assistência técnica para pequenos e médios produtores;
    • Direcionar infraestrutura e incentivos para áreas prioritárias, onde a recuperação de pastagens é mais viável;
    • Ampliar a transparência na cadeia produtiva, garantindo rastreamento da origem do gado e maior comprometimento de frigoríficos e investidores com práticas sustentáveis.

    “Nos últimos 23 anos, a expansão da pecuária revela que é possível aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, reduzir o desmatamento por meio de incentivos práticos e controle ambiental. No entanto, falhas nas políticas públicas e privadas têm impedido um avanço mais rápido, amplo e duradouro das melhores práticas. Assim, quase metade dos pastos estão degradados enquanto o desmatamento para pecuária continua. Diante da intensificação da crise climática, especialmente da redução das chuvas, as oportunidades para o aproveitamento produtivo de pastagens degradadas tendem a se reduzir drasticamente. O aquecimento global segue leis físicas imutáveis: quanto maiores as emissões de gases do efeito estufa, mais rápidas e intensas serão as mudanças climáticas. Portanto, políticos e líderes empresariais não podem hesitar. Apenas por meio de uma colaboração robusta e comprometida será possível mitigar os impactos ambientais da pecuária e promover o desenvolvimento sustentável em territórios onde a atividade ainda opera com baixa produtividade”, destaca o estudo.

  • Settlements in Focus: Combating Deforestation And Conservation in The Amazon

    Settlements in Focus: Combating Deforestation And Conservation in The Amazon


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    The Amazon is home to 2,599 agrarian reform settlements, which occupy 45% of the settled agrarian area in Brazil and support nearly 400,000 families. Although these settlements represent only 8% of the Amazon biome, they accounted for 24% of the forest loss in 2023.

    In a new study, researchers from Climate Policy Initiative/Pontifical Catholic University of Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) analyze the concentrated deforestation in a small group of settlements and argue that targeted public policies aimed at these critical areas could significantly reduce forest loss in the Amazon.

    Between 2008 and 2023, forest cover loss in settled areas followed a similar pattern to other parts of the Amazon, indicating that the same drivers of deforestation impact both agrarian reform areas and the broader biome. A notable portion of this deforestation results from the clearing of large areas, which is not typical of small-scale farming and exceeds the financial capacity of most settlers, who live in vulnerable socio-economic conditions. This suggests that deforestation in settlements is likely driven by external actors and broader forces, rather than the resident population.

    A key finding of the study is the high concentration of deforestation in a few settlements: just 5% of the settlements are responsible for 65% of the forest loss. Moreover, the same settlements, often in close geographic proximity, consistently show high deforestation rates year after year. Targeting these settlements with focused public policies could make a significant difference in reducing deforestation.

    Given this concentration, the National Institute for Colonization and Agrarian Reform (INCRA), which oversees agrarian reform policies and manages public lands in Brazil, should implement targeted strategies to promote forest conservation. In the Amazon, INCRA operates through 11 regional superintendencies, three of which are located in Pará, while the others are spread across the nine remaining states of the biome.

    At the superintendency level, the concentration of deforestation is similarly stark. For instance, five settlements account for 75% of deforestation in the Amazonas Superintendency, and three of the eleven superintendencies are responsible for 63% of deforestation in settled areas.

    This concentrated pattern of forest loss presents a critical opportunity for action. Strategic interventions focused on these priority settlements could yield significant results in combating deforestation and should be integrated into the plans of key agencies like the Ministry of the Environment and Climate Change (MMA) and the Brazilian Institute for the Environment and Natural Resources (IBAMA). Additionally, INCRA can enhance its efforts by prioritizing action in these high-deforestation superintendencies and settlements, leading to more effective forest conservation across the region.

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  • Assentamentos Em Foco: Combate ao Desmatamento e Conservação na Amazônia

    Assentamentos Em Foco: Combate ao Desmatamento e Conservação na Amazônia

    Os assentamentos da reforma agrária representam 8% do bioma Amazônia, mas responderam por 24% do desmatamento em 2023. Os dados do novo estudo do Climate Policy Initiative/PUC-Rio e do Amazônia 2030 apontam ainda que a perda florestal está concentrada em um pequeno grupo de assentamentos. Apenas 5% dos 2.599 assentamentos da Amazônia responderam por 65% do desmatamento nas áreas assentadas entre 2017 e 2023.

    “Um pequeno grupo de assentamentos permanece, ano após ano, como principal responsável pelo desmatamento na Amazônia. A implementação de políticas públicas focadas nesse grupo pode gerar um impacto expressivo na redução do desmatamento e na conservação da floresta”, diz Priscila Souza, gerente sênior de avaliação de política pública do CPI/PUC-Rio.

    Uma parcela expressiva da perda florestal nos assentamentos ocorre por meio do desmate de grandes áreas. Em 2023, 75% do desmatamento ocorreu em áreas maiores que 6 hectares. Áreas superiores a 25 hectares responderam por 36% do desmatamento.

    “Desmatar grandes áreas tem um custo elevado e não é característico da agricultura familiar. Logo, o desmatamento em larga escala é um indício de que a perda florestal nos assentamentos pode não ser impulsionada pela população assentada, mas por atores externos e por dinâmicas mais amplas que influenciam o desmatamento tanto dentro quanto fora dos assentamentos”, aponta João Mourão, analista do CPI/PUC-Rio.

    O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é responsável pela implementação de políticas de reforma agrária e gestão de terras públicas. Na Amazônia, a atuação do Incra é organizada através de 11 Superintendências Regionais. Três das 11 superintendências concentraram 63% do desmatamento em áreas assentadas entre 2017 e 2023.

    Na Superintendência de Santarém, 37% do desmatamento ocorreu em apenas 10 dos 208 Projetos de Assentamento. Na Superintendência do Amazonas, apenas cinco dos 108 assentamentos respondem por 75% do desmatamento. Na Superintendência do Sul do Pará, 55% do desmatamento está concentrado em 25 dos 505 assentamentos. O padrão se repete nas outras superintendências, com o desmatamento concentrado em 5% dos assentamentos.

    “Observamos que, tanto na Amazônia quanto em cada superintendência, existe um grupo de assentamentos críticos que concentra uma parcela expressiva do desmatamento. Assim, ações do Incra, do Ministério do Meio Ambiente e/ou do Ibama de combate ao desmatamento devem ser direcionadas a esse grupo para a efetiva conservação da floresta”, diz Mourão.

  • Cutting Down The (Hydropower) Plants: How The Amazon Deforestationis Jeopardizing Electricity Generation in Brazil

    Cutting Down The (Hydropower) Plants: How The Amazon Deforestationis Jeopardizing Electricity Generation in Brazil


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    The Amazon rainforest plays a crucial role in the global climate agenda and the Brazilian economy. It has a large carbon storage capacity and provides essential ecosystem services, including the regulation of rainfall patterns on a continental scale. The loss of forest vegetation negatively affects local biodiversity, the country’s economic development, and global climate stability.

    Researchers from Climate Policy Initiative/Pontifical Catholic University of Rio de Janeiro (CPI/PUC-RIO) analyzed the impact of changes in rainfall patterns caused by deforestation on the country’s electricity generation. This study shows that deforestation in the Amazon negatively affects the country’s electricity generation capacity and revenue, even affecting hydropower plants (HPPs) located thousands of kilometers away from the Amazon biome.

    By analyzing four of the most significant HPPs in the country, this publication explores the effects of deforestation on electricity generation both inside and outside of the Amazon region. The first case study, focusing on the Teles Pires HPP, located in the Amazon region, identifies that deforestation has reduced monthly generation by 2.5% to 10%, resulting in an annual revenue loss of USD 21 million for the hydroelectric plant. The second case study investigates the impact of deforestation beyond the Amazon region. When analyzing the three HPPs in the Paraná Basin (located thousands of kilometers from the Amazon), researchers identified a generation loss of around 3%. For HPP Salto, for example, the electricity generation loss corresponds to a potential 10% loss of annual profit for the controlling company.

    Hydroelectricity has historically been Brazil’s main source of electricity generation, accounting for 48.6% of installed capacity and 60.2% of total generation in 2023. Hydroelectric power is a renewable source of energy that is economically competitive and brings operational flexibility to the electricity system. However, it is vulnerable to changes in rainfall patterns and hydrological regimes.

    The Teles Pires HPP case study was developed at CPI/PUC-RIO in 2020 by Rafael Araújo, then a senior analyst. The results of this research were published in January 2024 in the journal Energy Economics. In the current publication, CPI/PUC-RIO presents the full results of the research project “Deforestation and Energy Generation.”

    This study aims to highlight the connection between the Amazon rainforest and energy generation, demonstrating that the impacts of deforestation reach beyond the deforested area and affect national hydroelectric generation. This analysis hones in on the resilience of Brazil’s electricity mix, which is already facing water scarcity and increasingly frequent extreme weather events. Although this study focuses on two case studies, it raises the hypothesis that the reliability and availability of hydroelectric generation can be impacted by deforestation. In addition, the study identifies regions in the Amazon that contribute to the hydroelectric generation of the analyzed HPPs, as well as the land categories present in the areas of influence for each plant. By identifying the most relevant areas to hydroelectric generation, this analysis shows the priority areas for implementing conservation and restoration policies, which can guide the design of effective financial mechanisms and the targeting of public and private resources.

    The results highlight the need to define strategies that reconcile conservation and restoration policies with those for energy generation, ensuring greater institutional integration between energy and environmental issues. Especially since a large part of Brazil’s power generation system is exposed to this mechanism—17 of the 20 hydroelectric plants with the highest capacity are in the path of the flying rivers.

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  • (Des)matando as Hidrelétricas: A Ameaça do Desmatamento na Amazônia Para a Energia do Brasil

    (Des)matando as Hidrelétricas: A Ameaça do Desmatamento na Amazônia Para a Energia do Brasil

    O desmatamento na Amazônia pode já ter causado uma redução de até 10% na capacidade de geração de energia e nos lucros das hidrelétricas em todo o Brasil, segundo um novo estudo do Climate Policy Initiative/PUC-Rio e do Amazônia 2030.

    “O impacto do desmatamento na Amazônia ultrapassa a área desmatada, produzindo efeitos negativos nas esferas ambientais, sociais e econômicas a quilômetros de distância do bioma. A conservação da floresta é de grande relevância para a matriz elétrica nacional e para a economia do país.”, diz Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/PUC-Rio e coordenador do Amazônia 2030.

    A hidroeletricidade é a principal fonte de geração do sistema elétrico brasileiro, representando 60,2% da geração total de energia em 2023. Pesquisadores analisaram os efeitos do desmatamento na Usina Hidrelétrica de Teles Pires, em Mato Grosso, e estimaram uma perda de geração de energia entre 2,5% e 10%. Isso corresponde à oferta de energia para, pelo menos, 330 mil pessoas. Considerando o preço de venda de energia, o desmatamento gerou uma redução média de R$ 118 milhões na receita anual da hidrelétrica.

    Mas os efeitos do desmatamento na geração de energia não se restringem aos limites do bioma Amazônia. Pesquisadores demonstram que a perda de vegetação prejudica a produção de três usinas hidrelétricas (UHE) situadas na Bacia do Paraná. Mesmo distante do bioma Amazônia, o desmatamento na floresta pode provocar uma perda de cerca de 3% na capacidade de geração de energia e em torno de 10% de perda de lucro anual.

    A perda potencial da UHE Salto, situada em Goiás, é de 12,7 GWh e de R$3,5 milhões por ano. A UHE Salto do Rio Verdinho, também em Goiás, tem perda potencial de 9,1 GWh e R$ 2,7 milhões por ano. Já a UHE São Domingos, localizada em Mato Grosso do Sul, tem perda potencial de 3,5 GWh e R$ 1,3 milhão por ano.

    “O combate ao desmatamento é uma questão de segurança energética. Dada a relevância da hidroeletricidade na matriz elétrica brasileira e as regiões afetadas pelo nexo desmatamento-perda de geração, a alteração no padrão de chuvas em decorrência do desmatamento pode impactar significativamente, e em grande escala, a sustentabilidade do sistema hidrelétrico.”, diz Gustavo Pinto, analista sênior do CPI/PUC-Rio.

    A longo prazo, poderá haver ainda outros impactos: aumento do preço de energia e maior demanda por usinas térmicas, com prejuízos ao meio ambiente.

    Floresta e geração de energia

    A floresta Amazônica exerce grande influência sobre os padrões de chuva, através do mecanismo conhecido por rios voadores.

    “Os rios voadores são as correntes de ar carregadas de umidade que transportam água a partir da Amazônia e margeiam o leste da Cordilheira dos Andes no sentido norte-sul, garantindo o abastecimento de rios e a irrigação das plantações. Quando as correntes de ar passam por áreas desmatadas, elas perdem umidade com mais facilidade, o que diminui a incidência de chuva ao longo do trajeto das correntes de ar. Como consequência, a vazão dos rios é reduzida, o que diminui a capacidade de geração hidrelétrica nas usinas.”, explica Assunção.

    O estudo aponta que as correntes de ar provenientes do Oceano Atlântico atravessam a Amazônia e seguem para regiões onde se encontra parte substancial das usinas hidrelétricas brasileiras. A perda de vegetação florestal impacta diretamente a produtividade das usinas.

     Pesquisadores identificaram que preservar a área da floresta Amazônica que exerce influência na geração de eletricidade na UHE Teles Pires tem valor de, em média, R$ 13 mil/km². Se focarmos nos 5% de área mais relevante para a geração de energia da usina, o valor sobe para R$ 33,6 mil/km².

    Em relação às usinas da Bacia do Paraná, os valores dos 5% de área de floresta mais relevante para a geração de energia das usinas de São Domingos, Salto e Salto do Rio Verdinho são R$ 60/km², R$ 143/km² e R$ 105/km², respectivamente.

    “O mapeamento dos principais pontos da Amazônia que contribuem para a manutenção da segurança energética do país é fundamental para direcionar políticas de conservação e proteção da matriz elétrica nacional. É importante também a participação dos agentes do setor elétrico na conservação e restauração da floresta.”, diz Pinto.

    O estudou analisou ainda o perfil da malha fundiária da área florestal que mais influencia a geração de eletricidade das UHEs. No caso de Teles Pires, Terra Indígena é a principal categoria fundiária (41,6%), seguida de floresta não destinada (18,5%). No caso das UHEs da Bacia do Paraná, imóveis rurais privados cadastrados no Sigef é a principal categoria (40%), seguida por Terras Indígenas (20%).

    “A Amazônia é composta por um mosaico de categorias fundiárias. Então é crucial considerar os perfis fundiários para identificar políticas e mecanismos de financiamento mais efetivos para a conservação e/ou restauração das áreas mais relevantes para a geração de energia, que sejam adequados às necessidades de cada contexto.”, destaca Joana Chiavari, diretora de pesquisa do CPI/PUC-Rio.