Fatos da Amazônia – 2026

O Fatos da Amazônia 2026 reúne e atualiza alguns dos principais indicadores ambientais, sociais e econômicos da Amazônia, oferecendo um panorama amplo das transformações recentes da região. Produzida pelo Projeto Amazônia 2030, a publicação sistematiza dados de diferentes instituições públicas e da sociedade civil sobre temas como território, população, desmatamento, queimadas, produção agropecuária, bioeconomia, segurança pública, progresso social, pobreza e economia. O objetivo é facilitar o acesso a informações essenciais para compreender os desafios e as oportunidades da Amazônia e contribuir para políticas capazes de conciliar desenvolvimento econômico, melhoria da qualidade de vida e conservação dos recursos naturais.

Fatos da Amazônia 2026 é de autoria de Daniel Santos, Arthur França, Manuele Lima, Agatha Vilhena e Beto Veríssimo. A nova edição mostra uma Amazônia marcada por contrastes. Indicadores ambientais importantes apresentaram melhora recente, com redução do desmatamento e forte queda dos focos de calor em 2025. Ao mesmo tempo, a região continua enfrentando desafios estruturais relacionados à pobreza, violência e qualidade de vida. A Amazônia Legal possui quase 29 milhões de habitantes, mas apresenta desempenho no Índice de Progresso Social inferior ao restante do país.

Principais destaques

  • Território e população: a Amazônia Legal ocupa cerca de 5 milhões de km², equivalentes a 59% do território brasileiro, e reúne 28,5 milhões de habitantes em 773 municípios — aproximadamente 13% da população do país.
  • Cinco Amazônias: a região pode ser dividida de acordo com suas características ambientais e de ocupação em Amazônia florestal, que representa 39% do território; florestal sob pressão, 29%; desmatada, 11%; e não florestal, predominantemente Cerrado, 21%. A maior parte da população, 76%, vive em áreas urbanas.
  • Desmatamento: a taxa de perda de floresta primária caiu de 13.038 km² em 2021 para 5.731 km² em 2025, o menor patamar desde 2015. Apesar da redução recente, a Amazônia Legal já perdeu aproximadamente 863 mil km² de floresta, equivalentes a cerca de 21% de sua cobertura florestal original.
  • Queimadas: depois de registrar quase 194 mil focos de calor em 2024, a Amazônia Legal contabilizou 71.276 focos em 2025, uma redução de 63% e o menor número registrado desde 2000.
  • Agricultura e pecuária: a área destinada à agricultura na região passou de pouco mais de 8 milhões de hectares em 2000 para 30 milhões em 2024. No mesmo período, o rebanho bovino cresceu de 47 milhões para 107 milhões de cabeças, fazendo com que a Amazônia Legal concentrasse 45% do rebanho brasileiro em 2024.
  • Bioeconomia: o valor da produção de açaí nativo na Amazônia Legal mais que dobrou em uma década, passando de R$ 480 milhões em 2015 para mais de R$ 1 bilhão em 2024. O Pará permanece como o maior produtor do país.
  • Progresso social: a Amazônia Legal obteve 58,18 pontos no IPS Brasil 2026, abaixo dos 64,21 pontos registrados no restante do Brasil. Palmas (TO), Cuiabá (MT) e Araguainha (MT) aparecem entre os municípios amazônicos com melhores resultados.
  • Desmatamento e qualidade de vida: os municípios que mais desmataram recentemente também apresentam, em geral, baixos níveis de progresso social. Entre os 20 maiores desmatadores entre 2020 e 2025 estão Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA), Lábrea (AM), Porto Velho (RO) e Apuí (AM).
  • Pobreza: cerca de 37% da população da Amazônia Legal estava em situação de pobreza em 2025. Pelo critério internacional de Paridade de Poder de Compra de US$ 4,20, quase 14% da população regional permanecia abaixo da linha de pobreza.
  • Violência: a taxa de homicídios caiu do pico de mais de 42 mortes por 100 mil habitantes, registrado em 2018, para 27,7 por 100 mil habitantes em 2024. Apesar da redução, diversos municípios amazônicos ainda registraram taxas superiores a 70 homicídios por 100 mil habitantes.
  • Economia: o PIB real da Amazônia Legal alcançou cerca de R$ 1 trilhão em 2023, representando quase 10% da economia brasileira. Mato Grosso, com R$ 285 bilhões, e Pará, com R$ 266 bilhões, lideram a economia regional.
 

O estudo reforça que não existe uma única Amazônia. A região reúne realidades muito diferentes em termos de conservação florestal, produção econômica, urbanização e condições de vida. Os dados mostram avanços importantes em indicadores ambientais recentes, mas evidenciam que reduzir o desmatamento precisa caminhar ao lado de políticas capazes de gerar prosperidade, segurança e melhores condições sociais para a população amazônica.

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