Categoria: Pecuária

  • Increasing Cattle Productivity in The Amazon Requires New Technologies

    Increasing Cattle Productivity in The Amazon Requires New Technologies


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    Cattle ranching is associated with deforestation in the Amazon region – a large part of the deforested areas have been converted to pasture. This pattern of extensive cattle ranching in the Amazon region is distinguished from the rest of Brazil. While the rest of Brazil uses less pasture over time for livestock production, the opposite is happening in the Amazon region, with an expansion of the pasture area (Figure 1). However, the role of livestock as a cause of deforestation is less evident. On the one hand, the expansion of the activity in the region can
    lead to deforestation. On the other hand, land grabbing has used livestock as part of the process of occupation of the territory. In this case, livestock would be more a consequence of and grabbing and deforestation than a cause.

    In this context, reducing the conversion of forests into pastureland while protecting or increasing rancher’s livelihoods is one of the main challenges for promoting sustainable development in the Legal Amazon. A key component to achieving this goal is increasing pasture productivity

    This brief summarizes the findings from Climate Policy Initiative/Pontifical Catholic University (CPI/PUC-Rio) that calculates the potential for increasing pasture productivity in the Legal Amazon by disseminating technologies that are widely used in just some parts of the region to all parts of the region.

    Agronomic models estimate that it is possible to nearly triple Brazil’s pasture productivity through a combination of better management and ranching intensification. From the point of view of public policies, it is important to understand the origin of the productivity gains identified in the agronomic models. Are these gains mainly found in the dissemination of practices already widely used in some high-productivity municipalities? Or do they require the introduction of production models that use practices not widely used in the Legal Amazon? This
    distinction has important implications for both the design of agricultural policies and, for example, for training policies and the dissemination of new technologies.

    CPI/PUC-Rio researchers show that livestock productivity is quite homogeneous in the region, with a predominance of land extensive production, little use of inputs (based on data from the 2017 Agricultural Census, just 12% of the properties used machines and only 3% used liming to correct the soil for pasture), and overall low levels of productivity. This uniformity translates into small benefits from disseminating the practices already used in the most productive municipalities in the Legal Amazon to the other municipalities in the region. Researchers
    calculate that this kind of dissemination could increase the value of its livestock production without increasing deforestation in the Legal Amazon by 17.6-29.4%

    Although the estimated productivity gain is relevant, it is substantially less than the potential identified in the agronomic literature. It is also considerably less than the potential for productivity gains in Brazilian agriculture, as calculated in previous work by CPI/PUC-Rio.6 This indicates that the achievement of major productivity gains for cattle ranching in the Legal Amazon will require the introduction of a new business model with the dissemination of techniques and technologies not yet used in scale in the region and also the fight against activities such as land grabbing that has used extensive and not very productive livestock farming as part of its
    processes.

  • Políticas para Desenvolver a Pecuária na Amazônia sem Desmatamento

    Políticas para Desenvolver a Pecuária na Amazônia sem Desmatamento

    Nos próximos dez anos, a demanda e a produção brasileira de carne bovina devem crescer. A notícia importa para a Amazônia Legal, onde estão 4 a cada 10 cabeças de gado no Brasil.  A região pode produzir mais sem desmatar, empregando técnicas e recursos financeiros já disponíveis. Mas é preciso coordenação política eficiente. É o que revela uma nova análise produzida por pesquisadores do projeto Amazônia 2030. A solução, que envolve combater a grilagem de terras, recuperar pastagens degradadas e torná-las mais produtivas, tem um custo total menor para os pecuaristas da região do que derrubar floresta para abrir pastos novos: R$270 milhões por ano, contra R$950 milhões do cenário em que há desmatamento. 

    As conclusões constam no estudo “As políticas para uma pecuária mais sustentável na Amazônia”, do engenheiro florestal Paulo Barreto, pesquisador associado do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No trabalho, Barreto faz uma revisão da literatura científica para identificar mudanças em políticas públicas que  possam frear o desmatamento e  garantir que a pecuária na região se torne mais eficiente.  “Cerca de 90% da área desmatada na Amazônia é ocupada por pastagens”, diz ele. “Para desenvolver a região sem desmatar, é urgente repensar a atividade”. 

    Ao longo da próxima década, a demanda brasileira por carne bovina deve crescer entre 1,4% e 2,4%, segundo projeções do ministério da Agricultura e Pecuária. 

    O estudo mostra que, para atender a essa demanda sem desmatar, os pecuaristas da Amazônia teriam de reformar entre 170 mil  e 290 mil hectares de pasto degradado por ano até 2030, ao custo de R$3 mil por hectare.  No total, seriam necessários investimentos entre  R$ 270 milhões e R$ 873 milhões por ano. Já a produtividade das pastagens deveria passar dos atuais 80kg por hectare para 300kg por hectare.

    Já existe dinheiro para isso: para produzir sem desmatar, os produtores da Amazônia Legal precisariam de um valor que pode variar entre 3% e 9,5% do crédito rural contratado para a região em 2020.  São empréstimos feitos pelos produtores rurais e que, hoje, são principalmente empregados na compra de novos animais — mas que podem ser redirecionados para a recuperação de pastagens degradadas.

    Em contrapartida, a opção pelo desmatamento derrubaria entre 634 mil e 1 milhão de hectares de floresta por ano. No custo por hectare, é um caminho mais barato do que o de recuperar pastagens: R$1,5mil por hectare, valor necessário para desmatar e plantar pasto. Mas, nesse cenário, a área afetada é maior.  Além do custo ambiental associado à derrubada da floresta, a medida tem um custo global maior:  somados todos os investimentos que seriam feitos pelos pecuaristas, o desmatamento custaria entre R$ 950 milhões e R$ 1,63 bilhão por ano.

    O que precisa mudar?

    A notícia é boa, mas o  trabalho mostra que, embora seja viável técnica e financeiramente produzir sem desmatar, não há garantia de que essa alternativa será dominante.  Hoje, a pecuária na Amazônia é pouco produtiva. Em média, há 10 bois onde poderia haver 33. E é grande a extensão de pastagem com algum grau de degradação. 

    O quadro é resultado de um conjunto de “incentivos perversos” que desestimulam avanços técnicos: há muita terra barata disponível, mão-de-obra pouco qualificada e infraestrutura precária. Um cenário que dificulta o investimento nas áreas de pastagem já degradadas e que torna o desmatamento uma alternativa mais atraente para o produtor. 

    Para mudar o cenário, o poder público deve induzir o uso mais produtivo das terras, desestimulando a expansão de fronteiras agrícolas especulativas e ineficientes, e deve trabalhar para fornecer os serviços e a infraestrutura que vão facilitar os investimentos nas áreas já desmatadas. Barreto recomenda atuar, simultaneamente, em duas frentes:

    1- Combater ao desmatamento e a especulação fundiária 

    Hoje, parte do desmatamento é utilizado por grileiros como tática para se apossar de terras públicas. O grileiro lucra ao vender a terra ou usando-a sem pagar um aluguel. Além disso, o poder público tem anistiado os grileiros e proposto a venda da terra abaixo do preço de mercado. Assim, o lucro da grilagem é enorme. A facilidade para se apossar de terras públicas torna barata a atividade de ampliar a produção de gado por meio da abertura de novos pastos.

    2- Facilitar o uso mais produtivo da terra 

    É preciso promover treinamento e assistência técnica continuados, oferecendo crédito rural focado em ganhos de produtividade e instalando infraestrutura e serviços necessários em regiões. 

    Autores: P. Barreto

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202109.ed11.imazon

  • Um Novo Modelo de Negócios é Necessário Para Aumentar a Produtividade da Pecuária na Amazônia

    Um Novo Modelo de Negócios é Necessário Para Aumentar a Produtividade da Pecuária na Amazônia

    A atividade pecuária está associada ao desmatamento na região amazônica – grande parte das áreas desmatadas foram convertidas em pastagens. O crescimento extensivo da pecuária na região amazônica se distingue do observado do resto do Brasil. Nos últimos trinta anos, enquanto no resto do Brasil a pecuária reduziu sua área, na Amazônia Legal ocorreu uma expansão consistente da área de pastagem (ver Figura 1). No entanto, o papel da pecuária como causa do desmatamento é menos evidente. De um lado, a expansão da atividade na região pode gerar desmatamento. Por outro lado, no entanto, a grilagem de terras tem utilizado a pecuária como parte do processo de ocupação do território. Nesse caso, a pecuária seria mais uma consequência do processo de grilagem e desmatamento do que uma causa.

    Nesse contexto, conter a expansão de pastagem, mantendo ou mesmo aumentando o nível de renda dos pecuaristas, é um dos principais desafios para desenvolver de forma sustentável a Amazônia Legal. O elemento chave para atingir esse objetivo é o aumento da produtividade das pastagens.

    Figura 1. Evolução da Área de Pastagem, 1985-2017

    De acordo com modelos agronômicos, seria possível aumentar a produtividade das pastagens no Brasil em até três vezes por meio de uma combinação entre um melhor manejo de rebanho e intensificação. Do ponto de vista de políticas públicas, é importante entender a origem dos ganhos de produtividade identificados nos modelos agronômicos. Esses ganhos se encontram majoritariamente na disseminação de práticas utilizadas em escala em alguns municípios de alta
    produtividade? Ou eles requerem a introdução de modelos de produção que utilizam práticas não amplamente utilizadas na Amazônia Legal? Esta distinção possui implicações importantes tanto para o desenho de políticas agrícolas como, por exemplo, políticas de treinamento e disseminação de novas tecnologias.

    Neste estudo, pesquisadores do Climate Policy Initiative/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) calculam qual o potencial de aumento da produtividade das pastagens na Amazônia Legal através da disseminação das melhores práticas utilizadas em escala na região.

    Os pesquisadores mostram que a produtividade na pecuária é bastante homogênea na região, com predomínio de um modelo de negócios de produção extensiva, pouco uso de insumos (com base nos dados do Censo Agropecuário de 2017, apenas 12% das propriedades usaram máquinas e apenas 3% usaram calagem para correção de solo para pastos) e baixos níveis de produtividade. Essa uniformidade se traduz em benefícios pequenos ao se disseminar as práticas já utilizadas nos municípios mais produtivos da Amazônia Legal para os demais municípios da região. Os pesquisadores calculam que a Amazônia Legal poderia aumentar o valor da sua produção pecuária sem ampliar o desmatamento em 17,6-29,4%.

    Embora o ganho de produtividade estimado seja relevante, ele é substancialmente menor que o potencial identificado na literatura agronômica. Ele também é consideravelmente menor que o potencial de ganhos de produtividade da agricultura brasileira, como calculado em trabalhos anteriores do CPI/PUC-Rio. Isso indica que a obtenção de grandes ganhos de produtividade para a pecuária na Amazônia Legal exigirá a introdução de um novo modelo de negócios com disseminação de técnicas e tecnologias ainda não utilizadas em escala na região e também o combate às atividades como grilagem que tem utilizado a pecuária extensiva e pouco produtiva como parte de seus processos.

    Autores: F. Filho, A. Bragança, J. Assunção.

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202105.ed6.cpi