{"id":910,"date":"2023-09-21T18:37:00","date_gmt":"2023-09-21T18:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/preview.amazonia2030.org.br\/wp\/?p=910"},"modified":"2026-10-17T16:30:13","modified_gmt":"2026-10-17T19:30:13","slug":"carbono-e-o-destino-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia2030.org.br\/wp\/carbono-e-o-destino-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Carbono e o Destino da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Se os pa\u00edses pagassem pelo carbono capturado na Amaz\u00f4nia, o que aconteceria com a floresta? A entrada do Brasil no mercado de carbono com o valor m\u00ednimo de US$20 transforma o futuro da Amaz\u00f4nia, indica o novo estudo do Climate Policy Initiative\/PUC-Rio (CPI\/PUC-Rio) e do Projeto Amaz\u00f4nia 2030.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO valor de US$20 por tonelada de CO2 estabelece uma base m\u00ednima para negocia\u00e7\u00e3o internacional. O pre\u00e7o de carbono no mercado europeu, que d\u00e1 direito a emiss\u00f5es de GEE, tem flutuado em torno de US$90 por tonelada de carbono. No estudo, propomos captura real de carbono, o que poderia valer ainda mais.\u201d, diz Juliano Assun\u00e7\u00e3o, diretor executivo do CPI\/PUC-Rio e coordenador do Projeto Amaz\u00f4nia 2030.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a Amaz\u00f4nia deixaria de ser uma emissora l\u00edquida de carbono e passaria a capturar CO2 em grande quantidade. \u201cToda vez que desmatamos, perdemos parte do nosso estoque de carbono. O estudo identifica uma forma de o Brasil acabar com o desmatamento e promover a reposi\u00e7\u00e3o florestal, ao mesmo tempo em que aumenta sua renda.\u201d, afirma Jos\u00e9 Alexandre Scheinkman, professor da Universidade de Columbia e colaborador do Projeto Amaz\u00f4nia 2030.\u00a0<\/p>\n<p>Quase 90% das \u00e1reas desmatadas do bioma Amaz\u00f4nia foram destinadas para a pecu\u00e1ria. Dados do Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es e Remo\u00e7\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG) mostram que o desmatamento e a pecu\u00e1ria s\u00e3o respons\u00e1veis por quase tr\u00eas quartos das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa do Brasil. A partir de US$ 20 por tonelada de CO2, a receita proveniente do carbono (US$320 bilh\u00f5es em 30 anos) compensa a perda de receita da pecu\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um valor m\u00ednimo que estanca o desmatamento e promove a recomposi\u00e7\u00e3o florestal. Torna-se mais rent\u00e1vel economicamente abandonar \u00e1reas de pecu\u00e1rias e coloc\u00e1-las em processo de regenera\u00e7\u00e3o natural. \u00c9 como se a gente estivesse reconectando a floresta com seu passado e fazendo uso mais produtivo da terra. Atualmente, temos muitas \u00e1reas subutilizadas.\u201d, diz Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para avaliar as consequ\u00eancias de um pagamento por carbono capturado, pesquisadores desenvolveram um modelo que considera os incentivos para o desmatamento, o potencial da agropecu\u00e1ria, a capacidade de absor\u00e7\u00e3o e emiss\u00e3o de carbono e a regenera\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, levando em conta a heterogeneidade da floresta.<\/p>\n<p>\u201cAvaliamos o impacto de diferentes cen\u00e1rios de compensa\u00e7\u00e3o por captura de carbono, a partir de um modelo espacial din\u00e2mico que examina os complexos trade-offs no tempo e no espa\u00e7o entre o uso de terras para pecu\u00e1ria e a restaura\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o florestal.\u201d, explica Scheinkman.<\/p>\n<p>Evolu\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Pecu\u00e1ria Segundo Pre\u00e7o de Carbono<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/amazonia2030.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Carbono-Figura-07.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><i>Fonte: CPI\/PUC-Rio e Amaz\u00f4nia 2030<\/i><\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia gera atualmente 50% das emiss\u00f5es nacionais de GEE. Com o valor de US$20 por tonelada de CO2, a Amaz\u00f4nia captura 16 gigatoneladas de carbono ao longo dos pr\u00f3ximos 30 anos. Eliminando o desmatamento, o Brasil deixaria de emitir mais 32 gigatoneladas de carbono, o que totalizaria 48 gigatoneladas de CO2 \u2013 quase o valor das emiss\u00f5es globais durante um ano.\u00a0<\/p>\n<p>O estudo aponta que, sem pagamentos de outros pa\u00edses, as pr\u00e1ticas atuais de combate ao desmatamento n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para conter a expans\u00e3o da pecu\u00e1ria. Pesquisadores preveem que o desmatamento na floresta tende a aumentar e a atingir um ponto de n\u00e3o retorno que amea\u00e7a a integridade da floresta em menos de duas d\u00e9cadas. Seriam emitidas aproximadamente 32 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 ao longo dos pr\u00f3ximos 30 anos.<\/p>\n<p>Evolu\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Pecu\u00e1ria sem Pagamentos por Carbono<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/amazonia2030.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Carbono-Figura-06.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p>F<i>onte: CPI\/PUC-Rio e Amaz\u00f4nia 2030<\/i><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cUm mecanismo robusto de pagamento pelo carbono florestal geraria impactos importantes em n\u00edveis regional, nacional e global. O mecanismo proposto no estudo prev\u00ea a remo\u00e7\u00e3o de carbono da atmosfera, o que contribui diretamente para a agenda de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Evitaremos o ponto de n\u00e3o retorno, e ganharemos mais tempo para lidar com a crise clim\u00e1tica. O mesmo modelo pode ser replicado para os demais pa\u00edses da Amaz\u00f4nia, na bacia do Congo e Indon\u00e9sia.\u201d, conclui Assun\u00e7\u00e3o.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se os pa\u00edses pagassem pelo carbono capturado na Amaz\u00f4nia, o que aconteceria com a floresta? 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