{"id":1151,"date":"2026-09-10T18:50:59","date_gmt":"2026-09-10T18:50:59","guid":{"rendered":"https:\/\/preview.amazonia2030.org.br\/wp\/?p=1151"},"modified":"2026-10-17T16:59:36","modified_gmt":"2026-10-17T19:59:36","slug":"novas-ameacas-ao-desmatamento-da-amazonia-impactos-esperados-das-rodovias-br-364-e-br-319-e-das-ferrovias-fico-1-e-ferrovia-estadual-do-mato-grosso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia2030.org.br\/novas-ameacas-ao-desmatamento-da-amazonia-impactos-esperados-das-rodovias-br-364-e-br-319-e-das-ferrovias-fico-1-e-ferrovia-estadual-do-mato-grosso\/","title":{"rendered":"Novas Amea\u00e7as ao Desmatamento da Amaz\u00f4nia: Impactos Esperados das Rodovias BR-364 e BR-319 e das Ferrovias FICO 1 e Ferrovia Estadual do Mato Grosso"},"content":{"rendered":"<p>Quatro obras de infraestrutura na Amaz\u00f4nia podem ampliar a conectividade log\u00edstica de 302 munic\u00edpios, mas tamb\u00e9m aumentar a press\u00e3o sobre milh\u00f5es de hectares de floresta e contribuir para o crescimento da criminalidade. O alerta \u00e9 do novo estudo do <strong>Climate Policy Initiative\/PUC-Rio (CPI\/PUC-Rio) e do Amaz\u00f4nia 2030.<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisadores analisaram o impacto da moderniza\u00e7\u00e3o da BR-364 em Rond\u00f4nia, do asfaltamento do trecho do meio da BR-319 no Amazonas, da implanta\u00e7\u00e3o da Ferrovia de Integra\u00e7\u00e3o Centro-Oeste (FICO 1) e da Ferrovia Estadual no Mato Grosso (FMT). Juntas, as obras buscam reduzir custos de transporte para produtores e consumidores.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m dos impactos econ\u00f4micos positivos, o estudo mostra que a \u00e1rea de influ\u00eancia dos quatro projetos engloba 44 milh\u00f5es de hectares de florestas localizados em glebas p\u00fablicas sem destina\u00e7\u00e3o formal, \u00e1rea equivalente ao estado do Maranh\u00e3o. Para delimitar a \u00e1rea de influ\u00eancia, os autores do estudo utilizaram a metodologia de acesso a mercado.<\/p>\n<p>\u201cA metodologia desenvolvida pelo CPI\/PUC-Rio define qual \u00e9 a \u00e1rea de influ\u00eancia de um projeto. Entendemos que os impactos econ\u00f4micos, sociais e ambientais dos projetos n\u00e3o se restringem ao entorno da obra. A \u00e1rea de influ\u00eancia engloba todos os munic\u00edpios cujo acesso a mercado \u00e9 ampliado pelo projeto, o que corresponde a uma \u00e1rea bem maior que a usualmente considerada no planejamento dos projetos.\u201d, diz Gustavo Pinto, gerente de pesquisa do CPI\/PUC-Rio e pesquisador do Amaz\u00f4nia 2030.<\/p>\n<p>Para os autores do estudo, a delimita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de influ\u00eancia tem implica\u00e7\u00f5es diretas para o planejamento de salvaguardas socioambientais, pois medidas de mitiga\u00e7\u00e3o restritas ao tra\u00e7ado da obra ou a um buffer de poucos quil\u00f4metros n\u00e3o s\u00e3o suficientes para conter todos os efeitos negativos do projeto.<\/p>\n<p>\u201cBenef\u00edcios e custos econ\u00f4micos, sociais e ambientais precisam ser considerados nos projetos de infraestrutura terrestre para garantir devida prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. De fato, o acesso a mercados pode gerar benef\u00edcios econ\u00f4micos, aumentar a competitividade regional e reduzir custos log\u00edsticos. Mas, em \u00e1reas de floresta e com governan\u00e7a fundi\u00e1ria fr\u00e1gil, a melhoria na conectividade tamb\u00e9m pode incentivar a grilagem, o desmatamento e outras atividades ilegais.\u201d, afirma Jo\u00e3o Pedro Arbache, pesquisador s\u00eanior do CPI\/PUC-Rio e do Amaz\u00f4nia 2030.<\/p>\n<p>Arbache explica que direitos de propriedade fr\u00e1geis associados \u00e0 baixa capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o tornam as terras vulner\u00e1veis \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o, \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o irregular e \u00e0 expans\u00e3o da criminalidade.<br \/>\nPara ele, \u201ca associa\u00e7\u00e3o do desmatamento com o crime organizado tem se intensificado na Amaz\u00f4nia. Combater o desmatamento \u00e9, assim, uma forma de impedir a expans\u00e3o da criminalidade. \u00c9 crucial integrar o planejamento de transportes, ordenamento territorial, pol\u00edticas de comando e controle, de conserva\u00e7\u00e3o e de conten\u00e7\u00e3o da criminalidade.\u201d<\/p>\n<p>Os pesquisadores defendem, assim, que seja delimitada e caracterizada a \u00e1rea de influ\u00eancia dos projetos: quanto de cobertura florestal nativa ainda est\u00e1 presente, qual \u00e9 a densidade demogr\u00e1fica, a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, o PIB per capita e o perfil fundi\u00e1rio dos territ\u00f3rios afetados.<\/p>\n<p>\u201cAs \u00e1reas de influ\u00eancia dos projetos podem apresentar perfis fundi\u00e1rios e de uso do solo distintos. A caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, crucial para identificarmos os territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis e propor medidas para evitar ou mitigar os efeitos negativos compat\u00edveis com os territ\u00f3rios afetados.\u201d, explica Pinto.<\/p>\n<p>O estudo mostra que as \u00e1reas de influ\u00eancia dos quatro projetos t\u00eam est\u00e1gios variados de consolida\u00e7\u00e3o da fronteira agr\u00edcola. Alguns munic\u00edpios apresentam processo de convers\u00e3o de terra avan\u00e7ado e poucos remanescentes de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Outros munic\u00edpios situados no Amazonas apresentam extensas coberturas florestais e previs\u00e3o de expressivos ganhos de acesso a mercado ap\u00f3s a conclus\u00e3o das obras. Para os autores, essas regi\u00f5es devem ser prioridade para a\u00e7\u00f5es de ordenamento territorial, destina\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, monitoramento ambiental, combate \u00e0 grilagem e ao desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cMedidas de conten\u00e7\u00e3o das atividades ilegais e danosas ao meio ambiente e \u00e0 sociedade precisam ser implementadas em tempo h\u00e1bil\u201d, diz Pinto. Ele explica que a janela de oportunidade para implementar essas medidas est\u00e1 se fechando rapidamente, uma vez que os quatros projetos j\u00e1 est\u00e3o em implanta\u00e7\u00e3o. \u201cParte dos efeitos sobre ocupa\u00e7\u00e3o territorial pode ocorrer antes mesmo da conclus\u00e3o das obras.\u201d, complementa Arbache.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro obras de infraestrutura na Amaz\u00f4nia podem ampliar a conectividade log\u00edstica de 302 munic\u00edpios, mas tamb\u00e9m aumentar a press\u00e3o sobre milh\u00f5es de hectares de floresta e contribuir para o crescimento da criminalidade. O alerta \u00e9 do novo estudo do Climate Policy Initiative\/PUC-Rio (CPI\/PUC-Rio) e do Amaz\u00f4nia 2030. 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