Tag: restauração

  • Restoring Brazil’s PublicLands: Exploring Public-Private Partnership Options

    Restoring Brazil’s PublicLands: Exploring Public-Private Partnership Options


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    The restoration of deforested and degraded public lands plays a fundamental role in promoting a new development model for the Amazon, based on the sustainable use of the forest’s natural resources and taking advantage of carbon market opportunities. To reap the environmental and socio-economic benefits of large-scale forest restoration in the region, partnership models between the public and private sectors are essential to offer balanced risk management and provide incentives to attract investors.

     

    To date, forestry concessions have been the only model adopted by the government to promote the restoration of public lands with private participation. Examples include the restoration concession project for the Flona do Bom Futuro in Rondônia and the restoration concession project for the Triunfo do Xingu Environmental Protection Area (Área de Proteção Ambiental – APA) in Pará, both of which are currently in the stage of public consultation.

     

    There are two main reasons why forestry concessions have been adopted as the standard model for public land restoration projects. First, the Public Forest Management Law (Lei de Gestão de Florestas Públicas – LGFP), especially after its 2023 updates, provides specific and detailed guidelines, making it easier for the public administration to model restoration concessions. Second, the experience gained with forest management concessions has consolidated a practical framework that public agencies can apply to restoration.

     

    However, forestry concessions have characteristics that may restrict their use for large-scale restoration of degraded public lands. In addition to being applicable only to certain land categories, forestry concessions impose strict contractual requirements and transfer most of the operational risks and burdens to the concessionaire, which can discourage the private sector from participating in this activity, especially in a complex context such as the Amazon.

     

    In this publication, researchers from Climate Policy Initiative/Pontifical Catholic University of Rio de Janeiro (CPI/PUC-RIO) and Amazon 2030 analyze the different legal partnership models in Brazilian administrative law in order to identify key alternatives to forestry concessions for restoring degraded public lands.

     

    This publication identifies ordinary tenders, common public service concessions, and Public-Private Partnerships (PPPs), assessing their advantages, challenges, and viability in comparison to the standard forestry concession model. The analysis considers key aspects such as regulation, administrative experience, application to different land categories, risk-sharing, and the allocation of responsibilities between the parties. This study seeks to identify a range of legal instruments available to further the restoration of public lands and align environmental recovery with sustainability and global goals for carbon emission reduction.

     

    Before discussing the implications of applying different partnership models to forest restoration activities on public land, Box 1 presents a brief definition and examples of how these models are currently offered by the Brazilian government.

     

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  • Restauração em Terras Públicas: Concessões Florestais e Outros Modelos de Parcerias

    Restauração em Terras Públicas: Concessões Florestais e Outros Modelos de Parcerias

    Dos 84 milhões de hectares desmatados na Amazônia Legal, aproximadamente 15 milhões poderiam ser restaurados. O novo estudo do Climate Policy Initiative/PUC-Rio (CPI/PUC-Rio) e do Amazônia 2030 analisa os diferentes modelos de parceria entre setores público e privado, buscando apresentar alternativas para impulsionar a restauração de terras públicas degradadas. 

    “Aproximadamente metade do desmatamento na Amazônia acontece em terras públicas e essa prática vem crescendo bastante nos últimos anos. Dada a grande extensão de áreas desmatadas e a diversidade de categorias fundiárias na região, precisamos expandir o conjunto de instrumentos jurídicos para que a administração pública possa alavancar a restauração, promovendo o desenvolvimento econômico sustentável da Amazônia e contribuindo com os compromissos climáticos nacionais.”, afirma Cristina Leme Lopes, gerente sênior de pesquisa do CPI/PUC-Rio. 
    A concessão florestal é o único modelo adotado pelo governo para restauração de terras públicas com a participação privada. Lopes explica que as concessões florestais apresentam vantagens como a regulamentação detalhada e a aceitação consolidada pelo governo. O modelo, porém, tem uso limitado para a restauração em larga escala, pois é aplicável apenas a certas categorias fundiárias da Amazônia, e o setor privado assume a maior parte dos riscos financeiros e operacionais, com pouca flexibilidade de repassar custos ao poder público. 

    Além das concessões florestais, outros três modelos contratuais de parceria poderiam ser aplicados às atividades de restauração, como a licitação comum, a concessão de serviço público comum e a parceria público-privada (PPPs). O estudo mostra que cada um desses modelos apresenta vantagens e desafios, dependendo do aspecto a ser considerado, como regulamentação, experiência administrativa, repartição de riscos e atribuição de responsabilidades entre as partes.  

    Para Joana Chiavari, diretora de pesquisa do CPI/PUC-Rio, “as parcerias público-privadas, por exemplo, oferecem divisão de riscos mais flexível, são aplicáveis a qualquer categoria fundiária, e o poder público pode assumir parte dos custos referentes à atividade de restauração, algo inviável nos outros modelos de contrato. As PPPs são especialmente atrativas em regiões da Amazônia de alta vulnerabilidade e complexidade.”, explica. 
    Aplicar qualquer um dos modelos na Amazônia é um desafio. A região é particularmente suscetível a atividades ilegais, como invasões, desmatamento e extração ilegal de madeira. Esses riscos afetam as parcerias, pois todos os concessionários, licitantes ou parceiros precisam garantir a integridade da área para manter a viabilidade da restauração e a permanência dos créditos de carbono. 

    As pesquisadoras chamam atenção também para a implementação de projetos de restauração em terras ocupadas por povos e comunidades tradicionais, como as terras indígenas e os territórios quilombolas. “A Amazônia tem uma grande diversidade de terras públicas com presença de povos e comunidades tradicionais. Os projetos precisam aplicar salvaguardas socioambientais, garantindo o respeito aos direitos territoriais e culturais, a participação das comunidades, uma distribuição justa de benefícios e o monitoramento da segurança dos territórios.”, afirma Lopes. 

    Para impulsionar a agenda de restauração em escala na Amazônia, o estudo apresenta cinco recomendações: avançar na consolidação da restauração florestal como um serviço público; capacitar e preparar os órgãos públicos para melhor gerenciamento de riscos; criar uma entidade especializada para gerir ativos ambientais, como créditos de carbono; garantir a efetividade das recentes modificações na Lei de Gestão de Florestas Públicas (LGFP) em relação à segurança; e inovar em editais e contratos para melhorar a distribuição de riscos. 

    “A restauração de terras públicas desmatadas ou degradadas é uma estratégia crucial para o desenvolvimento econômico da Amazônia, baseado no uso sustentável dos recursos naturais e aproveitando as oportunidades do mercado de carbono. Para alavancar a restauração em escala na região, é essencial explorar distintos modelos de parceria entre os setores públicos e privados que ofereçam uma gestão equilibrada dos riscos e incentivos para atrair investidores.”, diz Chiavari. 

  • Oportunidades Para Restauração Florestal em Larga Escala no Bioma Amazônia: Priorizando a Vegetação Secundária

    Oportunidades Para Restauração Florestal em Larga Escala no Bioma Amazônia: Priorizando a Vegetação Secundária

    Pelo menos 5,2 milhões de hectares de vegetação secundária na Amazônia Brasileira estão em áreas de baixa aptidão agrícola. Isso significa uma oportunidade de cumprimento do Código Florestal, com baixo custo, e sem perder área produtiva na Amazônia. A conclusão é de uma nova pesquisa do projeto Amazônia 2030, segundo a qual toda essa extensão de vegetação secundária está localizada em áreas que não competem com a atividade agrícola de grãos. Os dados, de 2019, mostram que, pelo menos, 73% da vegetação secundária  da Amazônia tem esse potencial, uma área superior ao estado do Rio de Janeiro.

    O estudo “Oportunidades para restauração florestal em larga escala no bioma Amazônia: priorizando a vegetação secundária” sugere que essas á podem permitir a recuperação de passivos florestais, com baixo custo e sem perder área produtiva, ajudando o Brasil a cumprir a meta nacional de recuperação da vegetação nativa do bioma — objetivo que o país assumiu em 2015 perante a Organização das Nações Unidas (ONU), quando se comprometeu a recuperar 4,8 milhões de hectares de mata nativa na Amazônia até 2030.

    O estudo é liderado pela Consultora do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Jayne Guimarães e pelo pesquisador Paulo Amaral, associados ao projeto Amazônia 2030. Além de traçar metas para o desenvolvimento da Amazônia legal até 2030, eles identificam áreas de vegetação secundária com alta ou baixa pressão de supressão, de forma a orientar políticas públicas que avancem na regularização ambiental e proteção da vegetação secundária no bioma Amazônia.

    Os dados coletados pelo trabalho também mostram que, dos 5,2 milhões de hectares de vegetação secundária em áreas de baixa pressão de supressão, 76% estão concentradas em três dos noves estados que compõem a Amazônia Legal: Pará (44%), Amazonas (20%) e Mato Grosso (13%). Uma parte considerável dessa vegetação está em imóveis privados com titulação fundiária (21%) e assentamos rurais (15%), o que significa que proprietários ou assentados também têm a oportunidade de recuperar passivos ambientais sem gastar muito. Outros 20% dessa vegetação secundária está localizada em áreas públicas não destinadas e 19% fica dentro de áreas protegidas.

    De acordo com os pesquisadores, o Brasil tem condições de avançar na implementação da regularização ambiental e do Código Florestal mas, para isso, os governos estaduais deveriam iniciar a avaliação, validação e implementação dos Cadastros Ambientais Rurais (CAR), Programas de Regularização Ambiental (PRA), Projetos de Recomposição de Área Degradada e Alterada (PRADA) e Termos de Compromisso Ambiental (TCA) pelas áreas com baixa pressão de supressão de vegetação secundária.

    Eles também sugerem que o governo federal crie um sistema de monitoramento da vegetação secundária, semelhante ao que é feito para a vegetação primária. “O monitoramento contínuo e em tempo real da vegetação secundária no bioma Amazônia garantiria a conservação da vegetação secundária e permitiria que a restauração alcançasse o estágio maduro, tornando-se floresta novamente”, explica Jayne Guimarães.

    No caso das áreas públicas não destinadas e vazios fundiários, os autores ressaltam ainda a importância de realizar o ordenamento fundiário para proteger a vegetação secundária nestas áreas. Segundo eles, também é fundamental que os produtores rurais recebam uma compensação financeira por converter áreas com alto potencial agrícola em floresta. “Recentemente, o governo federal instituiu o Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais, mas ainda não foram estabelecidos os valores a serem pagos aos produtores rurais. É importante que na definição destes valores se leve em consideração os valores comerciais de reflorestamento e cultivos agrícolas. Do contrário, os produtores irão optar pelas plantações de árvores ou pelo cultivo de commodities em detrimento da recomposição de florestas nativas”, alerta Jayne Guimarães.

  • Identificando Áreas Prioritárias Para Restauração: Bioma Amazônia

    Identificando Áreas Prioritárias Para Restauração: Bioma Amazônia

    A Amazônia pode salvar a própria Amazônia. Isso é o que aponta o estudo sobre a restauração de áreas prioritárias da floresta, desenvolvido pelos pesquisadores Bernardo Strassburg, Paulo Branco e Álvaro Iribarrem. A pesquisa mostra que, se apenas 10% da área degradada da Amazônia fosse restaurada de forma otimizada, uma receita de até R$ 132 bilhões poderia ser gerada. Abrindo novas possibilidades de financiamentos com essa receita.

    Isso ocorreria porque, com a restauração priorizada destes 10%, equivalente a aproximadamente 5,7 milhões de hectares, cerca de 2,6 bilhões de toneladas de Co2 seriam retirados da atmosfera. “Se você comercializa esse potencial crédito de carbono vindo dessas áreas, por exemplo, você tem um cenário que é bom para muita coisa ao mesmo tempo. Ou seja: você gera receita a partir de carbono obtido com a restauração”, explica Strassburg, que é diretor executivo do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). Ele ainda argumenta que é possível usufruir desse dinheiro em benefício da própria floresta.

    “A gente sabe que mais ou menos metade desse valor seria destinado aos fazendeiros por custo de restauração, para os locais e para quem faz essa restauração. Mas ainda sobra 50%, são R$ 66 bilhões. Esse valor poderia ser usado para investir em política pública, para financiar programas de desenvolvimento sustentável, para buscar caminhos mais sustentáveis para o desenvolvimento da própria Amazônia”, defende o pesquisador.

    PRIORIDADES

    A recuperação de áreas desmatadas e degradadas é uma prioridade para a superação de desafios globais, como a mitigação das mudanças do clima. No Brasil, a meta estabelecida através do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg, 2017) é de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa em todos os biomas brasileiros até 2030. Se considerarmos que a Amazônia Legal brasileira ocupa quase 60% do território nacional (IBGE, 2019), a recuperação florestal da região deve ser vista como uma questão, sobretudo, estratégica, tendo em vista as elevadas taxas de desmatamento e o alto potencial de regeneração natural do bioma.

    Os resultados do estudo, entretanto, mostram que a restauração isolada, sem o planejamento de áreas prioritárias, pode ser uma escolha nada inteligente.

    “Um estudo anterior ao nosso mostra que se restaurar 10% da Amazônia sem priorização, sem planejamento, o processo é muito menos eficiente. O custo é até 10 vezes mais efetivo se você seguir a priorização”, ressalta Strassburg. Ele ainda aponta que, se os gestores escolherem apenas pelo fator de custo, ou seja, por onde seria mais barato restaurar, ao invés de ir para fatores como clima ou biodiversidade, o resultado dessa restauração pode ser oito vezes menor. “Então, com o mesmo trabalho, ao invés de retirar 2,6 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera, como se fôssemos pelas áreas prioritárias, conseguiríamos apenas 330 milhões de toneladas. Estamos falando da mesma área, ainda restaurando os 10% do que foi perdido, a mesma dimensão de esforço, mas em locais diferentes por conta da prioridade”, destaca o diretor do IIS.


    E QUAIS SÃO AS ÁREAS PRIORITÁRIAS?

    Como resultado, a pesquisa conclui que há áreas prioritárias por toda a Amazônia. Algumas são mais importantes para a conservação da biodiversidade, clima, impacto social e, em alguns casos, são importantes para todos esses fatores juntos.

    “Os resultados mostram que a restauração em regiões próximas a calha e foz do rio Amazonas, Bragantina no Pará e Colíder no Mato Grosso são de altíssima importância para a conservação da biodiversidade, enquanto que o Sudeste Paraense, Nordeste Mato-Grossense e região de Ji-Paraná em Rondônia, tem alto potencial para sequestro de carbono”, destaca Strassburg, acrescentando que “tais regiões também seriam prioritárias para impactos socioeconômicos”.

    Os mapas elaborados pela pesquisa também apontam por onde começar a implementação da recuperação, levando em conta os diferentes cenários descritos. É possível perceber, a partir da delimitação por estados, que há regiões de alta prioridade em toda a Amazônia.

    “É interessante notar que todos os estados Amazônicos possuem regiões de altíssima prioridade para estes três critérios, reforçando a mensagem de que todos podem contribuir e se beneficiar de um programa de restauração em larga escala em áreas prioritárias”.

    Autores: Bernardo Strassburg, Paulo D. Branco, Álvaro Iribarrem, Agnieszka Latawiec, Carolina Salcedo, Diogo Rocha, Eduardo Lacerda, Luiz Gustavo Oliveira, Raísa Vieira e Renata Capellão.

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202202.ed29 

  • Large Scale Forest Restoration in The Amazon: The Potential of Secondary Vegetation

    Large Scale Forest Restoration in The Amazon: The Potential of Secondary Vegetation


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    Brazil has a goal of restoring at least 12 million hectares of native forests by 2030 (Brazil 2017). This goal was presented in international commitments of the climate and landscape restoration agendas, under the Paris Agreement, the Bonn Challenge, and the 20×20 Initiative. Specifically for the Amazon biome, Brazil’s National Plan for the Restoration of Native Vegetation (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa – Planaveg) sets the goal of restoring 4.8 million hectares of native vegetation (MAPA 2017).

    The Amazon forest has a high capacity for natural regeneration, i.e., for restoring its functionalities and physical structure through ecological succession, with an eventual need for some assistance. This happens as long as the conditions for guaranteeing its resilience remains present. The existence of a seed and seedling bank, seed dispersers and pollinators, and
    remaining forests in the vicinity of the area to be restored are essential conditions for natural regeneration to take place.

    The natural regeneration of the forest is also key to recovering forest liabilities (legal reserve and permanent preservation areas) within the scope of the Forest Code (Código Florestal – CF). In addition, it can help Brazil achieve goals for forest restoration and reduction of greenhouse gas emissions. Finally, it also contributes to the conservation of biodiversity and the provision of environmental services.

    This study, which is part of the Amazon 2030 (AMZ 2030), intends to analyze the potential of natural regeneration in the Amazon biome, as well as provide details on the territories where secondary vegetation is located. The objective is to support the work of public policy makers and contribute to a better use of natural regeneration in Brazil in the coming decades.

    The natural regeneration process poses challenges for its characterization through satellite images. For example, it is very difficult to distinguish fallow areas, where vegetation regrowth is temporary (usually up to 5 years), from abandoned areas, where regeneration tends to be more perennial. For this reason, in the analyzes of this study, we used secondary vegetation 6 years or older.

    We assessed the status of natural regeneration or secondary vegetation in the Amazon biome for 2019, based on Collection 5 of the MapBiomas Project. These analyzes were aimed at answering the following questions:

    i) What is the potential of secondary vegetation in the region?; and

    ii) Where are the areas of secondary vegetation of the Amazon biome considering occupation zones, political geography, land classes, among others.

    In 2019, we identified an area of 7.2 million hectares of secondary vegetation with a minimum age of 6 years in the Amazon biome, equivalent to the territory of Ireland.

    We also looked at the length of survival and the rate of suppression of secondary vegetation. First, we found that the majority (62%) of the 7.2 million hectares are over 10 years old and the rest (38%), between 6 and 10 years old. Second, we estimated an average annual clearing of native vegetation of 236,000 hectares in the Amazon biome between 1992 and 2019.

    In terms of geographic location of secondary vegetation (7.2 million hectares), the observed pattern was as follows: first, there is a greater concentration of natural regeneration in the old occupation zone (arc of deforestation); second, Pará is home to 42% of this natural regeneration, followed by far by Mato Grosso and Amazonas (17% each); third, private properties (titled properties) hold 26% of this natural regeneration and agrarian reform settlements 15%; another 11% are in areas with a Rural Environmental Registry (Cadastro Ambiental Rural – CAR) and 19% of them are in undesignated public forests; finally, the remainder (29%) is distributed among other land ownership categories.

    The results above illustrate a great potential for forest restoration in the Amazon. If, on the one hand, the size of the area under regeneration for at least 6 years illustrates the enormous waste in relation to deforestation that has occurred in recent decades, on the other hand, it points to promising paths for public policy and other initiatives associated with the climate agenda.

    In terms of public policy, these areas are outside the system for monitoring and combating deforestation and could be better integrated into the implementation of the Forest Code. In particular, we recommend: (i) implementation of the CAR and Environmental Regularization Programs (Programas de Regularização Ambiental – PRAs) in the states; (ii) monitoring of secondary vegetation and (iii) prioritization of areas with secondary vegetation. Furthermore, the results show that the Amazon is very well positioned for recent initiatives aimed at the bioeconomy of forest restoration and also for a growing interest from the so-called voluntary carbon markets in arrangements to offset greenhouse gas emissions.

  • Restauração Florestal Em Larga Escala Na Amazônia: O Potencial da Vegetação Secundária

    Restauração Florestal Em Larga Escala Na Amazônia: O Potencial da Vegetação Secundária

    O Brasil possui a meta de restaurar, no mínimo, 12 milhões de hectares de florestas nativas até 2030 (Brasil 2017). Essa meta foi apresentada em compromissos internacionais da agenda de clima e de restauração de paisagens, no âmbito do Acordo de Paris, do Desafio de Bonn e da Iniciativa 20×20. Especificamente para o bioma Amazônia, o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) estabelece a meta de recuperação de 4,8 milhões de hectares da vegetação nativa (MAPA 2017)

    A floresta amazônica tem alta capacidade de regeneração natural, ou seja, de restaurar suas funcionalidades e sua estrutura física por sucessão ecológica, com eventual necessidade de alguma assistência. Isso acontece desde que as condições de garantia de sua resiliência permaneçam presentes. A existência de banco de sementes e de plântulas, de dispersores de sementes e de polinizadores e de florestas remanescentes às proximidades da área a ser restaurada são condições essenciais para que a regeneração natural aconteça.

    A regeneração natural da floresta é também chave para se recuperar passivos florestais (reserva legal e áreas de preservação permanente) na esfera do Código Florestal. Além disso, pode contribuir para que o Brasil atinja metas de restauração florestal e de redução das emissões de gases de efeito estufa. Por fim, ela também contribui para a conservação da biodiversidade e para o provimento de serviços ambientais.

    Este estudo, que compõe o Amazônia 2030 (AMZ 2030), pretende analisar o potencial da regeneração natural no bioma Amazônia, assim como fornecer detalhes sobre os territórios onde a vegetação secundária está localizada. O objetivo é subsidiar o trabalho de formuladores de políticas públicas e contribuir para um melhor aproveitamento da regeneração natural no Brasil nas próximas décadas.

    O processo de regeneração natural traz desafios para sua caracterização por meio de imagens de satélite. Por exemplo, é muito difícil distinguir áreas de pousio, em que o retorno da vegetação é temporário (geralmente, de até 5 anos), de áreas abandonadas, onde a regeneração tende a ser mais perene. Por esse motivo, utilizamos nas análises deste estudo a vegetação secundária com idade a partir de 6 anos.

    Avaliamos a situação da regeneração natural ou vegetação secundária no bioma Amazônia para o ano de 2019, com base na Coleção 5 do Projeto MapBiomas. Essas análises foram orientadas para responder as seguintes questões: i) qual o potencial da vegetação secundária na região? e ii) Onde estão as áreas de vegetação secundária do bioma Amazônia considerando zonas de ocupação, geografia política, classes fundiárias, entre outras.

    Em 2019, identificamos uma área de 7,2 milhões de hectares de vegetação secundária com idade mínima de 6 anos no bioma Amazônia, o equivalente ao território da Irlanda.

    Também observamos o tempo de permanência e a taxa de supressão da vegetação secundária. Primeiro, identificamos que a maioria (62% ) dos 7,2 milhões de hectares tem mais de 10 anos de idade e o restante (38%), entre 6 e 10 anos. Segundo, estimamos uma supressão média anual da vegetação nativa de 236 mil hectares no bioma Amazônia, entre 1992 e 2019.

    Em termos de localização geográfica da vegetação secundária (7,2 milhões de hectares), o padrão observado foi o seguinte: primeiro, há maior concentração de regeneração natural na zona de ocupação antiga (arco do desmatamento); segundo, o Pará abriga 42% dessa regeneração natural, seguido de longe pelo Mato Grosso e pelo Amazonas (17% cada); terceiro, as propriedades privadas (imóveis titulados) detêm 26% dessa regeneração natural e os assentamentos de reforma agrária, 15%; outros 11% estão em áreas com Cadastro Ambiental Rural (CAR) e 19% delas estão em florestas públicas não destinadas; finalmente, o restante (29%) está distribuído entre outras categorias fundiárias.

    Os resultados acima ilustram um grande potencial para a restauração florestal na Amazônia. Se, de um lado, a dimensão da área em regeneração há pelo menos 6 anos ilustra o enorme desperdício em relação ao desmatamento ocorrido nas últimas décadas, por outro, aponta caminhos promissores para a política pública e outras iniciativas associadas à agenda do clima.

    Em termos de política pública, essas áreas estão fora do sistema de monitoramento e combate ao desmatamento e poderiam ser melhor integradas à implementação do Código Florestal. Em particular, recomendamos: (i) implementação do CAR e dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) nos estados; (ii) monitoramento da vegetação secundária e (iii) priorização de áreas com vegetação secundária. Além disso, os resultados mostram que a Amazônia está muito bem posicionada para iniciativas recentes voltadas à bioeconomia da restauração florestal e também para um crescente interesse dos chamados mercados voluntários de carbono em arranjos de compensação de emissões de gases de efeito estufa.

    Autores: A. Pinto, P. Amaral, R. Salomão, L. Oliveira Jr, C. Alexandre da Cunha & L. Figueiredo.

    Digital Object Identifier (DOI): http://doi.org/10.59346/report.amazonia2030.202104.ed4.imazon